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O PARQUE DE JESUS

 

Para muita gente pode não ser novidade.

Para mim, foi uma grande surpresa ver um folheto que apresenta um parque temático de diversões em Orlando, na Flórida que existe há cerca de 10 anos e fica quase ao lado dos parques da Universal.

O tema é, nada mais nada menos, do que a…Bíblia!

O nome do parque é The Holy Land Experience.
Em português: A experiência da Terra Sagrada.

O personagem do parque é Jesus.

Entre as atividades oferecidas está participar da Última Ceia e assistir à aparição de Jesus diante de Pôncio Pilatos.

Outras atrações são a maior réplica de Jerusalém em recinto fechado do mundo, visitar o Jardim do Edén, assistir aos anjos anunciando o nascimento de Jesus e acompanhar a sua morte.

Tudo isso entre barracas de cachorro-quente e lojas de souvenirs.

Quando a gente acha que já tinha visto de tudo…

Veja aqui o site do Parque www.holylandexperience.com

Você já tinha ouvido falar?

 

 

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VALORES DE MINAS

 

Nos últimos 9 anos nós temos desenvolvido vários projetos sociais no Serviço Voluntario de Assistência Social – SERVAS, em Minas Gerais.
O Valores de Minas é um deles.
Com o apoio de diversos parceiros, anualmente cerca de 600 jovens são selecionados para participar do Programa. São alunos da rede pública estadual que durante um ano, participam de oficinas de teatro, dança, artes visuais e circo. No final de cada período, apresentam um grande espetáculo, totalmente desenvolvido pelos alunos e professores.

É a formatura, o rito de passagem.

Nosso foco com esse trabalho é autoestima de cada um desses meninos e meninas. É a construção da identidade , o fortalecimento da individualidade, o desenvolvimento da confiança de cada um na sua capacidade de superação, nas suas próprias habilidades.

Desde 2005 o Valores funciona no espaço hoje conhecido como Plug Minas.

O Plug é uma experiência que merece ser conhecida por todos. Também graças à solidariedade de diversos apoiadores, é um exemplo claro de como é possível somar forças para transformar.

O Plug funciona no espaço onde funcionava a antiga Febem no bairro do Horto em Belo Horizonte. No governo do Aécio ele passou a abrigar um ousado Programa voltado para adolescentes. São diversos núcleos, que oferecem atividades diferentes, que tem em comum a marca da cultura digital e artística.

Veja aqui o artigo do psicanalista Madruga que atendia os jovens internados quando no local, funcionava a antiga Febem e que participou da inauguração do Plug Minas.

Vale a pena conhecer o projeto. Mme Danielle Miterrand, Viviane Senna, Xuxa, Gabriel, o Pensador, são algumas das pessoas que se interessaram em conhecer essa experiência. Vale a pena!

 

Mme Daniellle Miterrand visita Plug Minas

 

Viviane Senna conhece o trabalho do Servas

 

Gabriel, o pensador aplaude espetáculo do Plug Minas

 

Xuxa, que preside a Fundação Xuxa Meneghel, visita o projeto Valores de Minas

 

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MÃES

 

No início de 2002 voltei para Belo Horizonte com a minha filha. Havíamos passado os dois anos anteriores no Rio de Janeiro. Ela tinha 7 anos.

Eu estava preocupada com os novos desafios que ela precisaria enfrentar: nova escola, novos colegas, novas rotinas.

Escrevi esse poema para ela, há exatamente 10 anos.

Meu desejo era que ela pudesse perceber um dia, que é verdade, que tudo muda. Mas que também é verdade que algumas coisas não mudam nunca. O amor, por exemplo.

Hoje, publico esse texto como minha homenagem pessoal a todas as mães – as que eu conheço e as que eu não conheço. A todas nós, que de forma íntima e definitiva, como dizia Caetano, sabemos a dor e a delícia de sermos o que somos.

Feliz dia das mães!

Minha filha, eu, minha mãe, minha avó e minha bisavó

 

Para minha filha

Quando chegar o primeiro dia de escola nova
e os corredores parecerem muito compridos
e as escadas muito altas,
quando forem muitos os rostos desconhecidos
e o tempo dormir sobre as horas,
não se preocupe,
a hora da saída vai chegar e
eu vou estar lá.

E quando vierem as noites intranqüilas
de febre e sono agitado,
quando pedacinhos de medo
parecerem vagar pelo escuro do quarto,
aperta com força a minha mão
porque mesmo que você não saiba nunca,
eu vou estar lá.

E quando caírem os seus dentes
e você aprender a nadar,
quando você ficar muito contente
com as voltas que o mundo dá,
repare que nas mudanças
eu não mudei de lugar,
eu vou estar lá.

E quando você conhecer
o momento de se despedir,
e o papai noel e a fadinha dos dentes
deixarem de existir,
quando o peito parecer apertar
e o coração ficar pesado, difícil de carregar,
procure por mim
porque, com certeza,
mesmo que você não se lembre,
eu vou estar lá.

E quando chegar o tempo
das tardes de chuva fina
e chegar a vez das noites
mergulhadas em estórias antigas,
quando você precisar de alguém
que lhe ensine a primeira oração
e que a ajude a não esquecer nunca
que o que vale a pena
está escrito em cada coração,
fique tranqüila:
eu vou estar lá.

E quando os ventos forem fortes ou fracos demais
e as calmarias longas ou rápidas demais,
quando você quiser que de pé, na beira do cais,
alguém lhe acene a cada partida
e a abrace em cada chegada,
não se preocupe
olhe bem sob a neblina
porque,
faça sol ou faça chuva,
faça choro ou alegria ,
eu vou estar lá.

E mesmo que o tempo passe
e eu não possa mais lhe abraçar,
mesmo quando eu for para todos
apenas um retrato em algum lugar,
mesmo assim,
sempre que você precisar,
respire fundo, com calma e vagar
e no silêncio do seu coração
você vai saber:
eu sempre vou estar lá.

2002

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ITAMAR FRANCO

 

Tenho tido a oportunidade de conviver com pessoas muito especiais.
Algumas são especiais pelo talento, outras pela dedicação às causas que elegeram. Outras ainda pela forma como compreendem e lidam com as injustiças e incompreensões de que são alvos.

Itamar Franco foi uma delas.
Estivemos próximos nos últimos 10 anos de sua vida.
Participamos de algumas das mesmas reuniões, de muitos dos mesmos eventos de campanha.
Tivemos diversas conversas a dois.
Mudavam os temas, os desafios, as preocupações.

Uma única coisa não mudava: a firmeza das convicções de Itamar.

 

 

Concordávamos em muitas coisas, discordávamos em várias outras. Mas nenhuma das nossas concordâncias ou discordâncias interferiu na relação de afeto e respeito que construímos.
Esse é o artigo que escrevi quando ele morreu e que foi publicado no jornal Estado de Minas.

Algumas coisas e pessoas valem a pena não esquecer.

 

“O tempo é hóspede compulsório na vida de cada um de nós.

Se apresenta dócil no primeiro encontro e se porta como convidado discreto nos primeiros aniversários de nossos filhos.

Aos poucos, vai perdendo a cerimônia, invade espelhos e planta cansaço e saudade no quintal.

Às vezes finge desaparecer, apenas para nos assustar ao surgir, de repente, na nova voz de um filho, no primeiro namorado de uma filha.

Ele também faz mágica: leva embora nossos pais e amigos e nos transforma, subitamente, em sobreviventes.

Tempo.

O tempo abraçou e levou Itamar da mesma forma que já levou outros grandes brasileiros. Mas, como eles, de alguma forma, Itamar permanecerá conosco.

Alguns o reencontrarão nos livros de história. Outros, nas próprias memórias.

Mas cada um de nós poderá se reencontrar cotidianamente com Itamar no amor por Minas e no respeito pela política. Na impaciência com o ambiente menor da atividade pública onde florescem a ausência de escrúpulos e a mesquinharia pessoal.

Isso porque Itamar foi um apaixonado por Minas e pela política. Não fazia concessões. Não media palavras. Em diversos momentos foi incompreendido. Quanto mais o tempo passava, mais intolerante ficava com aqueles, que usam o espaço da representação pública, mais para se vingar de adversários do que para trabalhar pelo bem comum. Não se incomodava de ser polêmico: tinha um trabalho maior a fazer. Ele fez parte de uma geração para a qual imagem pública era conseqüência e não produto a ser construído.
Clique aqui e leia na íntegra

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PARA O FELIPE QUE EU NAO CONHEÇO

 

Felipe,

No dia 25 de abril você fez um comentário no meu post sobre o Thiago de Mello.
Nele, você contava o quanto gosta do trabalho do poeta e me dava uma ideia: sortear um livro autografado por ele aqui no blog.

 

 

Entendi a sua sugestão como expressão de um desejo de ter um livro com a marca pessoal do autor.

Conversei sobre isso com Thiago e acabo de receber o livro que ele enviou , com uma dedicatória para você.

Por favor, me mande o seu endereço pelo mesmo e-mail que você mandou o comentário.

Espero que o livro faça você feliz.

Abraço
Andrea

 

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GONZAGUINHA

 

Nelly me lembrou que no último dia 29/04, completamos 21 anos sem Gonzaguinha.
Paro e permito que fragmentos do passado cheguem até mim.

Os primeiros rostos que vejo são da Lelete (mulher) e da Mariana (filha).

Me lembro de algumas festas na casa deles, na região da Pampulha.

A alegria da Lelete, Mariana tão pequena…

Gonzaguinha sempre mais sério, perto da mesa de sinuca.

Não cheguei a conviver muito com ele na intimidade, mas tínhamos muitos amigos em comum…

Era a época em que nos reuníamos no restaurante Casa dos Contos.

Fazíamos poesia e acreditávamos que o mundo ia mudar.

 

 

 

Fragmentos

Em seguida me lembro da notícia do acidente chegando, amigos se telefonando. Aflição e ansiedade até a confirmação de que ele não tinha sobrevivido.

 

Mais fragmentos

Depois, me lembro dos preparativos.

Para a Missa.

Para o espetáculo em homenagem a ele que organizamos no Palácio das Artes. Tributo a Gonzaguinha foi o nome do show, que tinha como objetivo arrecadar recursos para que pudéssemos ajudar no tratamento hospitalar do empresário dele, que estava no mesmo acidente.
Milton Nascimento, Fernando Brant, Tavinho Moura, Toninho Horta, Flávio Venturini, Sá e Guarabyra, Fagner, Alcione, Zizi Possi, Elba Ramalho…

 

Hoje e nós

Em 2010 organizamos um flash mob na Praça da Liberdade, em Belo horizonte. Escolhemos lembrar e homenagear Gonzaguinha.

A Lelete veio. A Mariana veio. O Daniel (filho) veio com a filha.

E nós cantamos e dançamos, reinventando a nossa própria saudade e esperança:
Viver, e não ter a vergonha de ser feliz…

Gonzaguinha.
21 anos.
Tão depressa.

 

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RESPOSTA DE THIAGO DE MELLO

 

Esse texto é especialmente dirigido para quem leu o post que fiz sobre Thiago de Mello. E, mais especialmente ainda, para as pessoas que postaram seus comentários sobre o grande poeta.

Vejam a mensagem que ele nos enviou:

 

Andrea,

não consegui comentar, ao final do teu belo blog, as  palavras, cheia de luz, dos teus bons leitores.

Digo a ti e a eles só isto: que bom saber que não estamos sós, somos muitos, trabalhando na construção de uma sociedade humana solidária.

No respeito à grandeza da condição humana. No triunfo do amor.

Inclui, querida Andrea, estas palavras, por mim, no final da tua página que, acredito serenamente, ajudam o mundo a ser melhor.

Thiago de Mello

 

Agora vejam a delicadeza da mensagem que ele havia me enviado antes …

São momentos e palavras assim que nos fazem lembrar porque – apesar de tudo – tudo vale a pena:

Só tu, sim, Andrea,
capaz foste de, cantando
(o que escreveste é um cântico
de ternura solidária)
me fazer de novo criança.

Vou imprimir e emoldurar
o nosso abraço.

Pelo meio de janeiro estarei no Rio,
participando do Fórum Nacional, a chamado do Reis Veloso. Te aviso.

A internet te enganou,
90 anos? Quem me dera!
Ainda estou nos 86.
Mas quanto menos moço,
cada dia amanheço mais pleno de juventude.
Hei de chegar neles trabalhando
na construção de uma sociedade humana e solidária que, no Brasil,
começa com a eleição do Aécio.

Vou te chamar. Te guardo.

Thiago de Mello

 

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BOB DYLAN

 

Já disse aqui que a vida da gente tem trilha sonora.

Se tivesse que escolher qual delas mais definiu a minha vida, não teria dúvidas: Bob Dylan.

A música dele traduziu o melhor de uma geração.

As letras são delicadas poesias que, tomadas pela voz, gaita e violão que ele tocava, se transformavam em hinos.

Hinos à paz. À justiça, à liberdade.
Até mesmo ao amor.

Minha geração é uma geração de hinos e causas.

 

MÚSICAS

Tenho algumas músicas preferidas.

 

Knocking on Heavens Door, na versão do filme Pat Garret and Billy the Kid

http://youtu.be/hFxwq33rVAs

 

Ou os clássicos Like a Rolling Stone e The Times They Are A Changin’.

Blowing in the Wind, eu cantava alto, trancada no quarto da minha adolescência, época em que não se usavam os fones de ouvido. Agradeço à minha mãe e aos meus irmãos que acabavam tendo que ouvir também …

 

SHOW

Bob Dylan esteve de novo no Brasil esses dias. Esteve também em Belo Horizonte.
Não fui ao show. Em função de compromissos de trabalho não pude ir.

Me arrependi.

Dizem que as pessoas que têm mais chance de encontrar a felicidade são aquelas que encontram o dever e o prazer no mesmo lugar. Elas não se dividem.

Tenho essa sorte.

Muita gente me pergunta: mas você não para nunca de trabalhar? É difícil explicar que minha vida, meu trabalho e minha alegria caminham juntos, tão entrelaçados, que é difícil separá-los.

Mas cá pra nós, algumas vezes, acho que exagero.

No próximo mês vai ter o show do Crosby, Stills, Nash.

Eu vou.

Ps.: Deixo com você essa maravilha chamada Girl from the North Country.

http://youtu.be/ZBebxm87Lus

 

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PARA THIAGO DE MELLO

 

Essa semana recebi uma ligação do Thiago de Mello.

Há muito tempo não nos falávamos.

Ele estava de passagem por Belo Horizonte. Eu não estava na cidade.

Por sorte, conseguimos nos encontrar no dia seguinte.

 

O POETA

Se é possível que exista alguém que não o conheça, aí vai:

Thiago de Mello é um dos grandes poetas brasileiros.
Sua obra é marcada por um grande compromisso com o povo brasileiro.

Viveu no Chile durante parte da ditadura brasileira. Tornou-se amigo de Pablo Neruda. Traduziram, um, os versos do outro .

 

DITADURA

Na época do autoritarismo, líamos seus versos em praças e universidades: “Faz escuro mas eu canto porque a manhã vai chegar”.

 

OURO PRETO

Há alguns anos atrás, durante a celebração do 21 de abril em Ouro Preto, que contou com a sensibilidade e o talento de Gabriel Vilela, prestamos uma homenagem ao grande poeta.

Veja que Aécio termina seu discurso com uma pergunta que, simbolicamente, é feita a todos os mineiros.

A pergunta é respondida com emoção pelo ator Thiago Lacerda que, numa maravilhosa interpretação, declama os versos de Os Estatutos do Homem, talvez o poema mais conhecido de Thiago de Mello.

 

BAÚ

Thiago faz parte do meu baú de cartas, afetos e memórias.

Ao longo de décadas, vimos tecendo uma historia de ternura e encontros. Aqui e acolá.

Nos encontramos rapidamente em Brasília na semana passada.

 

 

Encontro rápido, mas suficiente para eu

me emocionar de novo com a força da sua presença …

conhecer o poema que seu amigo, o grande poeta latino americano Ernesto Cardenal, fez para Manaus, quando lá esteve , visitando-o …

 

E para ele

contar da sua casa na Floresta Amazônica, onde vive…

me dar o acróstico que fez com o meu nome no cardápio do restaurante em que almoçava, quando eu retornei a sua ligação. “Aproveitei para desenhar também” disse ele…

 

 

A internet me conta que Thiago fez 90 anos.

Não acredito. Com esses olhos tão claros e travessos acho que ele continua soltando pipas e papagaios que colorem o céu da sua floresta …

 

 

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21 DE ABRIL: TANCREDO EM IMAGENS

 

Muitas pessoas se manifestaram sobre o meu texto sobre Tancredo, em função da proximidade do 21 de abril.

Fiquei especialmente feliz ao perceber que muitas dessas manifestações vieram de pessoas jovens.

Memória não é apenas cronológica. Pode ser histórica, pode ser afetiva.  Pode ser até adivinhada.

Em retribuição a todas as mensagens que recebi, estou postando o vídeo abaixo, exibido na inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, sede do Governo de Minas.

Tomara que você goste.