O post de hoje só vai fazer sentido para os mais velhos.
Era uma vez um filme chamado Casablanca.
Foi um dos ícones da minha geração.
Muitos de nós sabíamos de cor os diálogos.
A música do filme “As Time Goes By” foi cantada por diferentes intérpretes e, tenho certeza que, até hoje, toca o – e no – coração de muita gente.
Veja a cena original do filme com a música:
TEXTO
O texto abaixo é de autoria do Luis Fernando Veríssimo e foi publicado na Veja, em 1983 (meu baú é antigo…).
Como tudo que faz sentido, permanece atual.
Você se lembra do filme?
As Time Goes By
Conheci Rick Blaine em Paris, não faz muito. Ele tem uma espelunca perto da Madeleine que pega todos os americanos bêbados que o Harry’s Bar expulsa. Está com 70 anos, mas não parece ter mais que 69. Os olhos empapuçados são os mesmos, mas o cabelo se foi e a barriga só parou de crescer porque não havia mais lugar atrás do balcão. A princípio ele negou que fosse Rick.
- Não conheço nenhum Rick.
- Está lá fora. Um letreiro enorme. Rick’s Cafe Americain.
- Está? Faz anos que não vou lá fora. O que você quer?
- Um bourbon. E alguma coisa para comer.
Escolhi um sanduíche de uma longa lista e Rick gritou o pedido para um negrão na cozinha. Reconheci o negrão. Era o pianista do café do Rick em Casablanca. Perguntei por que ele não tocava mais piano.
- Sam? Porque só sabia uma música. A clientela não aguentava mais. Ele também faz sempre o mesmo sanduíche. Mas ninguém vem aqui pela comida.
Cantarolei um trecho de As time goes by. Perguntei:
- O que você faria se ela entrasse por aquela porta agora?
- Diria: “Um chazinho, vovó?”. O passado não volta.
- Voltou uma vez. De todos os bares do mundo, ela tinha que escolher logo o seu, em Casablanca, para entrar.
- Não volta mais.
Mas ele olhou, rápido, quando a porta se abriu de repente. Era um americano que vinha pedir-lhe dinheiro para voltar aos Estados Unidos. Estava fugindo de Mitterrand. Rick o ignorou. Perguntou o que eu queria além do bourbon e do sanduíche de Sam, que estava péssimo.
- Sempre quis saber o que aconteceu depois que ela embarcou naquele avião com Victor Laszlo e você e o inspetor Louis se afastaram, desaparecendo no nevoeiro.
- Passei 40 anos no nevoeiro – respondeu ele. Obviamente, não estava disposto a contar muita coisa.
- Eu tenho uma tese.
Ele sorriu:
- Mais uma…
- Você foi o primeiro a se desencantar com as grandes causas. Você era o seu próprio território neutro. Victor Laszlo era o cara engajado. Deve ter morrido cedo e levado alguns outros idealistas com ele, pensando que estavam salvando o mundo para a democracia e os bons sentimentos. Você nunca teve ilusões sobre a humanidade. Era um cínico. Mas também era um romântico. Podia ter-se livrado de Laszlo e ficado com ela, mas preferiu o grande gesto e se igualar a Laszlo aos olhos dela. Por quê?
- Você se lembra do rosto dela naquele instante?
Eu me lembrava. Mesmo através do nevoeiro, eu me lembrava. Ele tinha razão. Por um rosto daqueles, a gente sacrifica até a falta de ideais.
A porta se abriu de novo e nós dois olhamos rápido. Mas era apenas outro bêbado.
MARSELHESA
Dizem que a Marselhesa é o segundo hino de todos os que, um dia, lutaram pela liberdade.
O filme é muito especial e, essa cena, que dispensa explicações, é uma das que eu mais gostava…
Casablanca.
Vale a pena ver de novo.





E saber que os jovens de agora só querem saber de Restart, Filme de Bruna Surfistinha e MTV. É lamentável. Um abraço Andrea.
E meu filho ouvindo Restart e Rebeldes! rsrsrsrsrs
O filme é baseado na peça Everybody Comes To Rick’s. Considerado como um dos maiores filmes da história do cinema americano,ganhou vários Oscar da Academia, incluindo o de melhor filme em 1943. Parabéns pelo post Andrea, simplesmente perfeito.
Nossa, sou apaixonada por este filme! Quando Ilsa diz: “Play it, Sam. Play ‘As Time Goes By’”, eu piro… Legal você falar de filme aqui. Que fale mais vezes…
Esse filme marcou gerações. É impossível não se apaixonar pelo filme e pela trilha, claro. Os diálogos, são impressionantes. Como disse a Rita, no comentário de cima, “Play it, Sam…” é memorável…
Perfeito… Vale a pena ver de novo!!!
Só posso falar uma coisa… recordar é viver.
Que delícia esses vídeos. Sempre falo desse filme e não tenho referências para enviar. Agora terei as refer6encias que eu gosto. Como eu gosto de Casablanca…. obrigado pelas recordações… excelente!!!
Andrea, tem um espetáculo maravilhoso do Grupo Oficcina Multimédia, de teatro, video e música, que estreou este ano que chama PLAY IT AGAIN, uma homenagem ao trecho que você cita. Vale muito ver! Quando entrar em cartaz de novo, te aviso. Você vai adorar. E eu adorei este post. beijos, Sam.
Esse filme é maravilhoso. Inesquecivel. É sempre bom rever ou falar sobre ele.Que bom que voce esse baú para postar coisas ricas como essa.
Esse filme e muito bom.
Adorei rever essas cenas. Sera que alguem sabe onde consigo compra-lo na internet?
Nem sabia que vc tinha blog, mas gostei demais, principalmente do texto da Alice, muito louco aquilo. rsrsrs vou contar para uma galera a relacao entre todos eles.
Gora serio, nao tem um filme mais moderno para a senhora indiar? So tem coisa com cheiro de nafitalina? Fala ai do filme do Batman etc. E o que vc acha do Cold Play???
Andrea,
Bons tempos quanto tínhamos bons atores, diretores, músicas, cenários e ideias. Como em “Paris Midnight” sempre achamos os tempos passados melhores.
Então, vamos construir melhor o futuro.
Muito legal esta postagem.
Cara, esse filme deve ter, pelo menos, 30 diálogos sensacionais, de tirar o fôlego.
Michael Curtiz fez uma obra prima máxima, sabendo tirar o melhor de atores fantásticos como I. Bergman e Bogart… Agora deu vontade de revê-lo…
“play it, sam” memorável essa passagem do filme…
Esse filme é um dos filmes imortais. Bogart e Bergman estão IMPECÁVEIS. Não existe, ainda, alguém que conseguisse definir este filme. em 70 anos de filme, nada conseguiu traduzir o que significa este filme. Incrível roteiro, incríveis atuações…
Aah, que filme inesquecível… Cada fotografia, cada momento, cada frase, cada música… Excelente post! Gostei do seu blog. Visite o meu depois.
Abraços!
Eu assisti umas 6 vezes na sala Humberto Mauro.