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DIGNA IDADE

 

Quando pequenos, meus irmãos e eu passávamos todas as férias em Cláudio, pequena cidade do interior de Minas, onde nasceu minha avó e onde vivia nossa bisavó.

Muitos tios e primos, muitas cavalgadas, muitos violões em torno de fogueiras. As mesmas músicas, sempre! Uma delas sempre me marcou. Uma moda de viola chamada Couro de Boi que cantamos juntos durante muitos anos.

Tempos depois, já à frente do Servas (Serviço Voluntário de Assistência Social), lançamos, em parceria com o Governo do Estado, um programa de valorização da pessoa idosa chamado: Digna Idade. Me veio então a ideia de propor uma campanha publicitária que usasse essa música como tema.

Conversamos com Zezé di Camargo que nos contou que a música também marcara sua vida. Ele gravou o comercial sem cobrar. Algumas entidades de classe e empresas se uniram para viabilizar sua exibição. Soube que a peça foi traduzida para outros idiomas por pessoas que a viram na internet.

É um grito para nos despertar da nossa própria desumanidade.

Você já viu?

Campanha de valorização do idoso – Servas e Governo de Minas

Campanha de valorização do idoso – segunda etapa.

 

 

Veja mais:

Zezé di Camargo no lançamento da Campanha do Idoso – Servas e Governo de Minas

Governador Aécio Neves no lançamento da Campanha do Idoso – Servas e Governo de Minas

 

 

Veja abaixo a letra da música:

 

Couro de Boi

Teddy Vieira / Palmeira


Existe um velho ditado
que é do tempo do zagaio
que diz que um pai cuida de 10 filhos.
Mas 10 filhos nao cuidam de um pai.
Sentindo o peso dos anos
sem poder mais trabalhar,
o velho peão estradeiro,
com seu filho foi morar.

O rapaz era casado
e a mulher deu de implicar.

“Você manda o velho embora,
se não quiser que eu vá”.

E o rapaz, coração duro,
com o velhinho foi falar:

Para o senhor se mudar,
meu pai, eu vim lhe pedir.
Hoje aqui da minha casa
o senhor tem que sair.

Leve este couro de boi
que eu acabei de curtir.
Pra lhe servir de coberta
aonde o senhor dormir.

O pobre velho calado,


pegou o couro e saiu.
Seu neto de oito anos
que aquela cena assistiu.
Correu atrás do avô,
seu paletó sacudiu.
Metade daquele couro,
chorando ele pediu.

O velhinho, comovido,
pra não ver o neto chorando
Partiu o couro no meio
e pro netinho foi dando.

O menino chegou em casa,
seu pai foi lhe perguntando.

Pra quê você quer este couro
que seu avô ia levando?

Disse o menino ao pai:
um dia vou me casar
o senhor vai ficar velho
e comigo vem morar.

Pode ser que aconteça
de nós não se combinar.

E essa metade do couro
vou dar pro senhor levar.

15 pensamentos em “DIGNA IDADE

  1. Você quer fazer a gente chorar?
    Passei aqui para pegar um texto e me deparo com essa propaganda maravilhosa. Chamei todo mundo para ver.

    Que lindo!! Quanta sensibilidade vc tem, Andrea.
    E olha que já fui sua crítica ferrenha. E vc me ganhou pelas palavras. Que bom!!!
    Gostaria tanto que mais pessoas pudessem ler seu blog. Faz tão bem à alma. Nos torna tão mais humanos.
    Amanhã quero ligar para minha mãe e desejar um bom dia a ela.
    Acho que temos que amar mais.

    Obrigada por colorir um pouco mais meu dia.
    Abraços com os olhos marejados.

  2. Essas lembranças da infância sempre me remetem também aos meus avós. Tão sábios, tão carinhosos, tão vivos. Preservar essa memória é preservar nossa própria vida.

  3. Ficou muito bom o texto viu Andrea. E o poema realmente é muito chocante, nossa, é um tapa na cara da sociedade. Abs.

  4. Essa propaganda faz a gente pensar muito no futuro.
    Dá um aperto no coração…
    Não sei se é medo de ficar velho e não ter ninguém para nos olhar, ou se é da gente estar deixando nossos pais sozinhos, sem perceber.

    Seu site é muito bom.

  5. Que delícia esta postagem, Andrea. Não me esqueço de quando eu morava em Perdões/Campo Belo/Lavras (papai mudava sempre por causa do emprego). Era muito criança e Couro de Boi era sempre tocada nas rodas de viola. Eita época boa. Obrigado por me fazer lembrar com mais carinho da minha época de menina.
    Abraços.

  6. Acho que acesso seu Blog apenas para sorrir, chorar, emocionar, sentir nostalgia, Andrea. Me encanta sua leveza.
    Achei muito DIGNA sua ação, frente ao SERVAS. Fico feliz de ver que existem ótimos seres humanos, como você.

    Beijos grandes, Andrea.

  7. Como gosto dessa propaganda.
    Pra quem é tida como a Margaret Thatcher de Minas…

    Concordo com a Júlia. Sua imagem passada pra gente não é a que vemos nesse blog. Acho que todos te consideram essa mulher mão de ferro pq não te conhecem.

    Parabens!

  8. Linda a postagem e principalmente a campanha. Sou filha única, minha casa vivia cheia de primos, que muitas vezes, até incomodavam. Agora minha mãe, já velhinha, doente, ninguém liga , nem para saber se está bem. Tem acompanhamento médico, mais infelizmente, para este mau, o único remédio é o carinho das pessoas. Pena que elas não entendam… E o Governo não deselvolve campanhas, visando os idosos. Vejo, Xuxa, Renato Aragão e muitos outros, que parecem não ter este problema…Parabéns pela iniciativa.

  9. Andrea,

    me chamo Maria do Carmo, tenho 92 anos. Minha neta me mostrou essa preciosidade de texto e é ela que está escrevendo pra mim.

    Fiquei tão comovida com a propaganda…
    Quando eu era mais nova, ouvia muito essa música na fazenda de meus pais. Uma vez, meu pai me disse que se fosse necessário algum dos filhos te dar um couro de boi, era melhor mata-lo.
    Cuidei de meu pai até ele falecer.
    Parece que só depois que o perdi, percebi que podia ter dado mais abraços, ter rido mais, ter falado mais eu te amo, ter mostrado como ele era importante em minha vida.

    Agora, idosa, vejo que as pessoas nunca têm tempo pra gente. Elas nos dedicam o tempo que sobra. Nunca têm tempo de compartilhar um carinho, um dia de conversa, uma noite de descanso. Somos sempre aqueles que só precisam de cuidados médicos. Que está prestes a ir embora. Que precisa de ajuda e cuidados constantes.

    As vezes me pergunto se um poodle não recebe mais carinho que os idosos. Talvez pelo fato deles não durarem muito. De não falarem verdades. De não terem experiência.

    A vida de “velha” é muito solitária. Triste. A cada dia sabemos que o tempo está reduzindo. Está acabando. Cada dia que passa é um dia a menos. Não um dia a mais vivido.

    Em minha família deixo cada um livre para fazer o que quiser. Peço que só me visitem quando der vontade.
    Não quero ninguém me olhando com pena ou impaciência.
    Sou velha. Está é a natureza do ser humano.

    Graças a Deus e a Santa Rita, tenho netos que são apegados a mim.

    Quando vi a propaganda do Zezé na televisão chorei muito. Reconheci muitas a situação de muitas amigas, primas e irmãs. Me deu um nó na garganta. Um peso no peito.
    Não sabia dizer se por causa da música que me levava à tempos antigos ou pelas imagens.

    Está aqui hoje, uma velha, te agradecendo por levantar essa questão.

    Obrigada, e que Deus te dê uma velhice com muitos próximos de vc.

    • Cara Senhora Maria do Carmo
      Fiquei muito honrada e emocionada com a sua mensagem.
      Honrada por merecer a sua atenção e emocionada por encontrar alguém que partilha uma mesma memória ( música) e um mesmo lamento diante da insensibilidade da nossa sociedade. Que Deus abençoe os seus netos e a senhora.

  10. Eu vi essa propaganda em Goiás.
    Dá um nó na garganta quando percebemos a história. E o melhor de tudo, é que ela me levou a pensar como trato meus idosos e me fez pensar em como me trataram quando eu for idoso.
    Não quero um pedaço de couro de boi quando for velho. Quero carinho e aconchego.
    Lindo texto, excelente vídeo.. parabéns.

  11. Coincidências da vida: semana passada estava LOOOUCA atrás do nome dessa música. Estava com ela na cabeça, com um trecho só, na verdade, mas fiquei infernizando a vida de minha mãe, já idosa, e de meus irmãos. Ninguém lembrava o nome, mas sabia um trecho. Coisas da vida, não é?

  12. É interessante como existem pessoas boas, como Zezé, que não cobrou o cachê para esta ação. Que continue dando muito certo, pois os idosos merecem, e muito, a nossa atenção e nosso carinho.

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