Não conheci Carlos Drummond de Andrade.
Dele tenho a imagem que muitos devem ter: um homem recolhido, tímido até, meticuloso no trabalho e no texto.
Mas eu sei alguma coisa a mais sobre Drummond. Sei que ele era uma pessoa generosa.
Só uma pessoa muito generosa oferece o que tem de mais valor para um desconhecido.
No caso, a desconhecida era eu e o presente valioso, o tempo.
Alguém duvida que, depois de uma certa idade, o que temos de mais valioso é o tempo?
Explico melhor.
Vivi até quase os meus 30 anos no Rio.
Visitava sempre São João Del Rei, Cláudio, Belo Horizonte.
De longe, como tantos outros, era também tocada por essa entidade chamada Minas.
Para usar as palavras do Poeta, era também visitada pelo espírito de Minas, esse sentimento tão concreto e, ao mesmo tempo tão difícil de ser traduzido.
Nessa época, vivia intensamente Minas que, como algumas paisagens, parece ser melhor vista e compreendida de longe …
Debruçada sobre os versos de Drummond, me ocorreu um dia fazer o que, imagino, milhares de jovens também fizeram: enviar um poema ao velho Poeta.
Custei a reunir coragem e enviei a ele versos em que respondia – pretensão pouca – à angustia de seu personagem José ao constatar, nos versos já famosos, que Minas não há mais.
Mal pude acreditar quando recebi uma resposta do próprio punho de Drummond.
Li e reli as breves palavras no cartão dezenas de vezes. Mudava a entonação e o texto ganhava sentido diferente. Professoral? Paciente? Impaciente? Quase afetuoso?
Não importa. O importante foi que ele dedicou alguns poucos minutos para escrever aquelas palavras e subscritar o envelope. Se o fez para mim, para quantos outros jovens não terá feito, ao longo dos anos, o mesmo gesto?
Imaginar o grande poeta dedicando parte do seu tempo a dialogar com meninos e meninas que ele não conhecia e que tateavam caminhos para começar a viver, não deixa dúvidas:
Drummond era um homem muito generoso.





O grande poeta Drummond, simplesmente fantástico. Mais uma vez, adorei o seu texto, sempre escrevendo muito bem. E que maravilha, heim? Receber uma carta de próprio punho de Drummond. Meus parabéns!
Uma vez Zélia Gatai disse que Drummond foi capaz de falar, se não de todas, quase todas as dores humanas.
Um homem que se intitulava artesão das palavras …
O que o tempo? Que tempo teria um artista desses para responder alguém?
Isso só mostra atenção e respeito à vida. Ao ser humano.
Eu adoraria ter uma carta assinada a punho por Drummond. Seria uma honra e uma jóia na minha vida.
Pelo visto vc realmente é privilegiada. Teve um livro de Bartolomeu dedicado a vc. E agora descobrimos que também foi agraciada pelo grande poeta.
Que privilégio! E que delícia ter acesso a essa preciosidade!! Bacana também foi a ousadia que você teve para tentar o que parecia improvável… receber essa resposta tão gentil. Essa ousadia é que move quem realmente faz. Abraço grande!
Andrea, arrepiei com esta carta. Que atire a primeira pedra quem não gostaria de ter, em mãos, uma carta como esta.
Você, querida, é uma privilegiada na vida e, como poucos, sabe aproveitar as oportunidades que a vida dá.
Espero que numa dessas voltas, nos encontremos para tomar um bom café com um pão de queijo quentinho.
Beijos.
A cada post, texto, a cada palavra que leio de você, fico mais admirada, quase tiete. Ou será que já sou sua fã? Descobri teu blog por acaso, em uma postagem amiga no facebook. Desde então, acompanho todos os textos. Sempre me surpreendendo, aprendendo…E, como dito acima, admirando. Tenho vontade de comentar em todos, mas acho que seria demais. Porém, tem posts como este do Drummond que não dá para ficar só na leitura e não te falar: lindo post, lindas palavras! Ler este post é saber que sempre vou lhe dedicar um tempo. Tempo para apreciar a sua boa prosa poética e a sua sensibilidade.
Andrea,
gostaria de ver agora o poema que você enviou para ele naqueles tempos.
Luciana.
Luciana
Tentei achar…..não consegui.
Quem sabe ele aparece em alguma caixa ou gaveta?