Para mim, a mais absoluta de todas as aventuras tem sido a da maternidade: a maior alegria, a maior curiosidade e o maior desafio.
Os filhos nos trazem ao mesmo tempo – e todo o tempo – o velho e o novo.
Novas descobertas, preocupações e dúvidas. Ressuscitam antigos sonhos e desejos. Ressuscitam uma parte de nós mesmos.
São espelho e relógio.
É neles que vemos que o tempo passa. Passou. Está passando.
Sempre achei que o tempo passa em velocidade diferente, dentro e fora da gente.
Passa rápido por fora e devagar por dentro.
Como explicar as rugas no rosto, quando ainda nos sentimos os mesmos de vinte anos atrás?
Quando olhamos no espelho não nos enxergamos como os outros nos veem, mas como nos sentimos. Por isso não nos surpreendemos.
É nos nossos filhos que percebemos que o tempo passa, não em nós.
CARTA
Há alguns anos minha filha fez 15 anos. A data me tocou muito. Escrevi essa carta que entreguei a cada mãe que acompanhou seu filho na comemoração que fizemos.
Por isso, sempre vi com muita curiosidade o movimento das meninas de hoje em torno dessa celebração.
E, mais surpresa fiquei, quando minha filha me disse que gostaria de comemorar os dela…
Ao me envolver nos preparativos da festa aprendi uma lição: festa de quinze anos não é só da filha. É da mãe também.
O grande momento da festa, todos sabemos, é a valsa. E, ao pensar nela, descobri, de repente, o que para muitas mães certamente já está claro há muito tempo:
A valsa é magia.
O rito de passagem.
O momento cinderela, em que tudo se transforma.
Não por acaso, ela deve ocorrer à meia-noite.
Na valsa, nossas filhas começam a dançar meninas e terminam moças.
Por isso, elas começam pelos braços dos pais, avós e tios e terminam de mãos dadas com primos e amigos.
Começam a dançar levadas por aqueles que guiaram seus primeiros passos e terminam ao lado daqueles com quem vão caminhar, sozinhas, daqui para frente.
No começo da valsa são olhadas por olhos que veem a menina.
No final são observadas por olhos que anteveem a mulher.
Por isso, para elas, a valsa é o momento da excitação e, para nós, da emoção não bem compreendida.
É o momento da chegada do novo e da despedida do antigo.
É o momento de saudar o adivinhado e começar a se desvencilhar do conhecido.
Quando minha filha nasceu, há quinze anos, me lembrei de um conto de fadas, o da Bela Adormecida.
E pensei em quais seriam os três dons que, se eu pudesse, ofereceria a ela.
Não tive dificuldades em escolher.
Primeiro, que ela fosse tocada pela bondade.
A solidariedade vem do coração, a generosidade da razão, mas a bondade é filha do espírito. Por isso é mãe de ideias e sentimentos.
Depois, pela sabedoria.
Sabedoria para não se perder de si mesma durante a caminhada e para não deixar de acreditar em si mesma, quando as noites forem longas demais.
Mas sabedoria, sobretudo, para não esquecer nunca o caminho de casa.
E, por fim, que ela pudesse ser visitada pela alegria.
Porque alegria é um jeito de acordar. É um jeito de conversar com o mundo. É viver colorido, é o jeito de olhar para a vida e não depende do jeito que a vida olha para nós.
Hoje, eu gostaria de desejar que as vidas de seus filhos sejam também tocadas pela bondade, pela sabedoria e pela alegria.
E, pensando em cada um deles,
Quaisquer que sejam as idades deles,
Quaisquer que sejam os sonhos que os motivem peço, com afeto:
Que Deus abençoe as nossas meninas e meninos…
Obrigada pela sua presença,
Com a amizade da
Andrea
MÚSICA
Sempre gostei muito dessa música do Crosby Stills Nash e Young. Você conhece?
VIDEO
Teach Your Children |
Ensine seus filhos |
| You who are on the road Must have a code that you can live by And so become yourself Because the past is just a good bye. |
Você que está na estrada Deve viver sob um código e asssim ser você mesmo Porque o passado é só uma despedida |
| Teach your children well, Their father’s hell did slowly go by, And feed them on your dreams The one they picked, the one you’ll know by. |
Ensine bem seus filhos, Porque o inferno dos pais vai passando devagar E alimente-os nos seus sonhos Aqueles que eles escolherem, aqueles que você ficará sabendo |
| Don’t you ever ask them why, if they told you, you would cry, So just look at them and sigh and know they love you. |
Nunca pergunte a eles porquê, se eles disserem, você poderia chorar apenas olhe pra eles e saiba que eles amam você. |
| And you, of tender years, Can’t know the fears that your elders grew by, And so please help them with your youth, They seek the truth before they can die. |
E você, ainda nos suaves anos Não conhece os medos que seus pais enfentaram Então, ajude-os com a sua juventude, para que eles procurem a verdade antes que possam morrer. |
| Teach your parents well, Their children’s hell will slowly go by, And feed them on your dreams The one they picked, the one you’ll know by. |
Ensine bem seus pais, O inferno dos seus filhos vai passar devagar E alimente-os nos seus sonhos Aquele que eles escolherem, aquele que você vai ficar sabendo |
| Don’t you ever ask them why, if they told you, you would cry, So just look at them and sigh and know they love you. |
Nunca pergunte a eles porquê, se eles disserem, você poderia chorar apenas olhe para eles e saiba que eles amam você. |





Vc jura que entregou essa carta para todas as mães? Que delicadeza. Posso copiar sua ideia para fazer nos 15 anos de minha sobrinha?
Seu blog está muito legal.
Sempre deixo um tempo para poder le-lo com calma.
É como alimentar a alma.
Por falar nisso, que tal homenageara s mulheres na semana que vem?
Julia
Para todas….
Se vc gostou da idéia, claro que pode…
Tomara que os 15 anos dela sejam muito felizes……
Eu sou pai e vc traduziu meu sentimento. Muito bom!
Essa música é linda demais, Andrea. Eu quero ser mãe logo mas tá difícil rsss…
Quanta magia neste post, Andrea. Que sentimento e emoção. Só mesmo quem tem filhos para saber o que é e qual o sentimento. Confesso que fiquei emocionado com a postagem.
Um beijo grande e carinhoso,
Renato.
Andrea, que delícia ler esta postagem. Cada palavra, cada linha, quanta emoção, quanto sentimento.
Realmente, quando minha filha fez 15 anos, tive a mesma sensação que você descreveu. Ser mãe é bom demais! Nossos filhos são nossos melhores amigos.
Quanto à música, que bela escolha!
Beijos.
Eu gostaria muito de ter filhos para sentir o mesmo, imagino a emoção que deve ser, tenho um afilhado e o tenho como filho, mas ser pai deve ser diferente. A vida não me deu esse “dom”, tentei diversas vezes adotar e parei na burocracia, lindo o texto, estou com os olhos cheios de água.
Um grande abraço, Otávio.
Que sensibilidade, que doçura! Lembrei-me de minha mãe que foi também tão amorosa. Parabéns!
Ser mãe é mesmo um privilégio, adoro essa música! Post sensacional, Andrea! Gostaria de ter o mesmo talento para escrever e demonstrar meus sentimentos, parabéns, seu blog é lindo!
Andréa ,
Parabéns pelo belo texto. Envolvida por suas palavras me lembrei do meu neto, Rafael, que fez 16 anos. Suas imagens, de uma ternura linda e de uma profundidade exata, refletem esse momento do florescer de um /uma adolescente. Sua página está linda.
Adorei a citaçao do Bartô…..Abs
Um texto delicado como vc. Realmente, filhos são “espelho e relógio”… espelho com um reflexo aprimorado, relógio que às vezes perde os ponteiros e nos faz esquecer que o tempo segue… Eu sempre acreditei que observando a relação de um pai ou de uma mãe com o seu filho notamos claramente como aquela pessoa se comporta no mundo e quais são os seus principais valores. Somos como pais sempre o excesso do que somos com o mundo (ou daquilo que pensamos ser nele)… E temos a missão de ensiná-los a perceberem o relógio e o espelho, com o coração… Nesse afeto que transborda por este texto, vc, talvez sem querer, expõe a sua sensibilidade e a sua alma… Lindo. Beijo.
Andrea me emocionei ao ler sua carta.
Tenho 5 filhos, que são minha riqueza e meu legado ao mundo.
Um abração, Ednea.
Quem a conhece sabe da sua sensibilidade – não só em escrever. Você é uma pessoa maravilhosa, amiga, sensível, disponível e pelo pouco que conheço da sua filha, percebo que ela tem muito de você. É o espelho. O relógio, nós que somos mães, continuaremos sempre a procura do tempo que ele insiste em nos mostrar do passado, do presente e do futuro. Não só nosso, mas dos nossos tesouros – os filhos. Sou sua fã. Um carinhoso abraço. Ana Paula