Leio, com tristeza, a notícia da morte, por greve de fome, de mais um prisioneiro político em Cuba. Wilmar Mendoza de apenas 31 anos morreu às vésperas de ser reconhecido pela Anistia Internacional como Prisioneiro de Consciência.
É inconcebível que alguém possa morrer em função da defesa pacífica de suas ideias. Que alguém possa morrer por cometer a ousadia de pensar diferente do poder estabelecido, qualquer que seja ele.
CUBA
Para a minha geração, durante muitos anos, a revolução cubana foi o símbolo do idealismo e a prova de que era possível construir uma sociedade mais justa. Não sei em que exato momento muitos de nós começaram a perceber que, infelizmente, o processo não era tão linear, nem os princípios tão absolutos quanto imaginávamos.
Em que momento tivemos que acrescentar ao nosso sonho de revolução as imagens da censura, dos prisioneiros políticos, da corrupção?
Visitei Cuba em setembro de 1985. Fui uma das centenas de estudantes que participaram do Diálogo Juvenil e Estudantil da América Latina e do Caribe sobre a Dívida Externa. Lembra, Letícia?
Foi nesse Congresso que tive a minha estreia como oradora. Para quem até hoje não se sente à vontade com os microfones, estrear sendo ouvida pelo próprio Fidel, num auditório lotado, não foi fácil.

O Gramma – Órgão Oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba – publicou os discursos de todos os participantes do Congresso. 16 setembro de 1985.

Jornal Diario de La Juventud Cubana - relação dos oradores do dia 14 de setembro. Pelo Brasil falaram: Fábio Agasi, Anacleto Julião, Cezar Vasquez e eu.
MEMÓRIA
Quando voltei de Cuba , com o coração dos meus vinte anos, publiquei esse artigo na Revista de Domingo do velho e bom JB. O título e o final do texto fazem referência a uma música do Caetano muito conhecida na época:
Quero ir a Cuba.
ARTIGO DO JB
“Mamãe, eu fui a Cuba”
Clique aqui e leia o artigo na integra.
WILMAR
Volto à morte de Wilmar Mendoza.
Somo a minha indignação, pequena gota, à de todos os que acreditam que a humanidade não existe no abstrato, mas se realiza, por completo, em cada vida.
Drummond dizia que Itabira era apenas uma fotografia na parede, mas como doía…
Cuba é a foto na parede da minha geração – e como dói…








Legal Andrea. Espero que o Brasil responsabilize formalmente o governo cubano.
Cezar,
Há quanto tempo…..
Vou te mandar o Jornal com o seu discurso.
Lá se vão mais de 25 anos….
Que linda postagem. Cuba representava tantos ideais e mobilizava pelo sonho. Hoje, os sonhos pelos quais tantos lutam perdem o sentido de luta, de caminho para a concretização, pois a morte também silencia… e a indignação perde a força quando não se sustenta pela democracia. A sua luta indignada neste nosso país mais livre é um bom exemplo para nossas vidas e para as novas gerações. Obrigada por compartilhar sua história e todas essas sensações conosco!
“Se tivermos que escolher entre a liberdade e o pão, ficaremos com a liberdade para seguir lutando pelo pão”
Assim, com esta frase inspiradora. Me alinho, a sua indignação. E, por certo, Wilmar, também escolhe a liberdade. Tristeza é pensar que, ele seguiu lutando…mas não alcançou o pão.
A indignação, deste momento, me fez pensar. Qual será o motivo, que leva vários jovens, a se filiarem ao Partido Comunista do Brasil.? Sou um defensor da democracia.Mas, existem fatos históricos, que me fazem ter repulsa pelo Comunismo.
Ótimo texto, oportuna reflexão, triste realidade.
Andréa,
Parabéns pelo texto. Aguardamos um posicionamento mais austéro do governo brasileiro.
Legal Andreia, suas palavras serão lidas por muitos que queriam falar e não falam, ou até mesmo pelos que deveriam falar e não falam, nenhuma mídia de expressão nacional mencionou esse lamentável fato da morte de Wilmar Mendoza , um jovem que se abstinou de comer em prol da liberdade de muitos outros jovens , adultos e crianças.
Certamente suas palavras irão transpor as montanhas de Minas e quem sabe consiga sensibilizar mais corações, assim como aqueles que leem esse seu registro, encorajando mais e mais pessoas naquilo que nós mineiros temos como nossa bandeira LIBERDADE ! muito bem registrado, que descanse em paz o grande guerreiro Wilmar Mendoza, ávido por liberdade e que mais vidas não sejam ceifadas por esse regime castrista, que tranformou a bela ilha em ilha prisão.
Plagio o texto de Eduardo Galeano
http://migre.me/7HMQA
Cuba duele.
Além de Cuba quem conhece uma outra ilha do Caribe? Como é a situação? Haiti, Rep,Dominicana, Puerto Rico, Cuba uma ilha de 13 milhões de habitantes da o que falar e é noticia, manchete no jornal. Para finalizar, crianças e mulheres são vitimas nessas guerras, ninguém fala muto o são chamados de danos colaterais. O governador de SP o que fiz no domingo! Mas ainda assim continuamos olhando Cuba? Por favor, já está gasto. Escreva sobre Guantánamo
Eu fui à Cuba. Fui com um ideal forte e, pra mim, absoluto. Voltei desacreditando nos homens e em suas ideias de mudar a humanidade. Acho que falta uma Cuba Libre nos nossos dias.
Será o Movimento “Ocupem o All Street” nossa nova Cuba Libre?
Ei, Andrea,
Que delícia este seu Blog. Que bom saber que uma das mentes mais evoluídas dessa terra brasileira está divulgando seu espaço.
Ótima postagem sobre Cuba. É de se indignar mesmo! Não é mais tão linear essa ideologia que, hoje, é ultrapassada e que ontem, era o futuro da nossa geração.
Um beijo bem guardado, Andrea.
…e como dói mesmo, Andrea. Cuba marcou positivamente uma geração, e, na maneira como foi conduzida, negativou-se às outras. Excelente texto, emocionante!
Não seria ótimo se no mundo todo as pessoas só morressem de fome quando fizessem greve de fome? Não seria maravilhoso se no mundo todo a única forma de você morrer por fazer um protesto pacífico fosse fazendo greve de fome? É claro que Cuba tem muitos defeitos, mas será que nós – do país do massacre de Eldorado Carajás, das chacinas, do assassinato de sindicalistas, ambientalistas e índios, de pinheirinhos e cracolândia, das prisões imundas e desumanas, das torturas de menores infratores, do maior número de assassinatos de homossexuais do mundo, da polícia paulista que é responsável por 1 em cada 5 assassinatos em SP – será que somos mesmo melhores e mais respeitadores dos direitos humanos do que Cuba? Eu acho que não.
E Wilmar Mendoza não era nenhum herói. Não estava preso por “crimes de idéia”, mas por espancar a mulher. E não morreu por lhe ser negada comida, mas por recusar-se a comer.
Acrescento ao que já escrevi:
Alguém sugeriu que o governo brasileiro responsabilizasse o gov. cubano por essa morte. Isso seria de uma hipocrisia monstruosa, o imundo encardido reclamando do sujinho.
Então, querida Andrea, descanse que esse Wilman é tudo, menos um morto por pensamento. O seu amigo, conforme mostra foto acima, Frei Betto, é quem garante:
https://twitter.com/#!/freibetto/status/161525330090274817
Mamãe, eu já sonhei com Cuba.
Hj não quero ir à Cuba mais.
Chega dos Castro no poder.