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ZIRALDO

Na semana passada, escolhi para ilustrar o meu post sobre a campanha pelo aumento dos royalties do minério, uma imagem do Ziraldo.
Não foi por acaso.

 

Alguns amigos a gente admira mais do que gosta.
De outros, a gente gosta mais do que admira.
Na minha vida, Ziraldo é um equilibro.
Tenho por ele imenso afeto e enorme admiração.

 

Respeito a sua obra, o seu talento.
E me impressiono com a intensidade e generosidade com que ele vive.

Memória

Vou contar um pequeno episódio dos muitos que tenho dividido com ele por 30 (socorro!) anos.

Recado de Ziraldo para Andrea Neves

De Ziraldo para Andrea Neves

Em 2001, minha filha terminou o pré-primário.
Para comemorar a sua primeira “formatura” organizei um piquenique – ela e eu – no chão da sala do apartamento em que morávamos.
Queria dar de presente a ela uma edição de capa dura do livro Flicts, do Ziraldo.
Não encontrei em lugar nenhum.
Liguei pra ele pra saber onde eu poderia encontrar.
Ele não sabia.
No dia seguinte recebi dele uma coleção de edições do Flicts em diversos idiomas com uma linda mensagem:

“Andrea,
como já nao há mais capas duras, vão aí os meus Flicts globetrotter para homenagear a Maria Clara.
Que já veio ao mundo com o seu lugar certinho: junto de você.
Seu,
Ziraldo
Dezembro. 2001″

Em meio a toda a sua agenda ele encontrou tempo para acolher um momento que só tinha significado para mim e para minha filha.

Delicadeza. Esse também é um traço do Ziraldo.

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TANCREDO E O ENCANTO POSSÍVEL

 

Algumas pessoas sugerem que eu escreva mais sobre a minha história.

Aí vai, então, mais um pedaço dela.

Esse é um artigo que fiz sobre o meu avô e foi publicado na revista Vogue em 1984. Eu tinha 25 anos.

Família Neves: Tancredo, Andrea e Aécio

Tancredo, Andrea e Aécio - 1984, Claudio-MG

Tancredo, o encanto possível

Paulo Mendes Campos dizia, em crônica, já antiga, que os grandes milagres, ao contrário do que pode parecer, não acontecem depressa, mas devagar, muito devagar.

De certa forma é também o que acontece com as “grandes lições” que a vida nos oferece. Na falta de um adjetivo melhor chamo “grandes lições” ao processo de incorporação daqueles princípios éticos básicos, sem os quais o homem perde a sua referência, sua identidade, sua ponte própria com o mundo.

Hoje, a cotidiana violência das manchetes dos jornais nos treina para o silêncio, e o caos em que se encontra a humanidade nos faz beirar o imobilismo: de agentes da nossa própria história corremos o risco de nos transformar em espectadores amedrontados cujo único mérito é o de ainda ter forças para torcer por um final menos infeliz.

E vamos envelhecendo precocemente em cada gesto contido, em cada indignação não mais sentida, em cada lágrima não repartida.

É esse o sentido maior deste texto: através dos olhos, da voz e do coração de primeira neta revelar um pouco do afeto e da ternura que o dia-a-dia insiste em tentar nos fazer esquecer.

No tempo em que vivemos, quando parece ter se tornado normal essa total desorganização de valores, esse cruel ceticismo diante da quase impossibilidade do amanhã, essa cor opaca que trazemos nos olhos, o grande aprendizado que meu avô vem repartindo conosco, vem sendo tecido com calma e emoção ao longo de toda a nossa vida.

A primeira lembrança, a mais remota, é de uma tarde no apartamento de Copacabana. Ele, com infinita paciência, cantava Se Essa Rua Fosse Minha. Eu, excitada pelo fascínio que o ambiente (a biblioteca) me despertava e pela impressão que as ilustrações de A Divina Comédia, que minha curiosidade folheara algumas horas antes, me causara, relutava em conseguir dormir.

Depois, como em todas as manhãs, vieram as estórias (verdade que sempre as mesmas…) e eu seria capaz de jurar que ele se divertia tanto quanto eu com as nuances de voz e expressão que criava para os personagens.

Avanço um pouco no tempo e lá estávamos nós, passeando pelas ruas de São João del Rei. Em cada esquina, uma história; a cada passo, um amigo, um dedo de prosa, um abismo de recordações. Lembro-me, numa dessas ocasiões, do desassossego que me tomou conta, quando, entreouvindo uma dessas conversas, descobri, encantada, que ele também já fora menino, nadara no Olho d’Água e brincara nas torres da Matriz…

Chegou a minha adolescência e com ela a descoberta de uma nova dimensão da sua figura. Agora, as conversas eram verdadeiras aulas de história e a facilidade com que discorria sobre os mais diversos assuntos me ingressou num mundo novo. É até hoje fascinante vê-lo, na descontração do universo familiar, falar com a mesma intimidade sobre os grandes clássicos da literatura universal, sobre alguns aspectos de determinada teoria política ou mesmo comentar a técnica de uma jogadora de basquete. A ecleticidade da sua formação faz com que navegue com segurança e naturalidade sobre as mais diversas áreas do conhecimento humano.

É também nessas ocasiões que melhor se revela a agudez do seu espírito: bem-humorado, domina com maestria o uso da ironia sem jamais chegar ao sarcasmo, ao mesmo tempo em que é capaz de levar um “oponente” ao exaspero sem sequer alterar o tom da voz. São presentes dele alguns dos meus melhores livros e só não foram mais importantes na minha formação do que as dedicatórias que os acompanham.

No espaço de vida real, o avô e o político se confundem revelando o homem na sua dimensão maior. E é esse quem vem nos legando a mais valiosa de todas as heranças: o seu exemplo vivo de coragem, lealdade e serenidade. Coragem que revela ao sustentar as suas posições contra as platéias mais adversas; lealdade quando reserva, mesmo aos adversários, toda a sua atenção e respeito (embora nem sempre receba o mesmo tratamento) e a serenidade que caracteriza os que sabem discernir entre a limitação e o infinito dos fantasmas que povoam as almas humanas.

A sua inteligência já é por demais conhecida e só é superada pela dimensão da sua lucidez. Não aquela lucidez fria, exclusivamente racional, mas aquela outra, a lucidez comovente dos que conseguem não deixar de sonhar. E se algum lampejo de altivez ilumina de quando em vez o seu olhar, ele se deve exclusivamente ao orgulho que devem sentir os homens capazes de viver, e, vivendo, se manterem fieis não só aos compromissos que estabelecem com o mundo exterior, mas principalmente aos que travam consigo mesmos e que se revelam naqueles princípios básicos a que me referia no início do texto.

Por outro lado, a humildade com que se comporta nos vem mostrando desde criança que a vaidade não é a melhor das madrinhas, assim como o aplauso fácil não é o melhor dos troféus. A rigidez do seu caráter, a profunda solidariedade que o liga aos amigos e a fé que ainda consegue ter nos destinos do país são aspectos da sua personalidade que transparecem para todos que partilham do seu convívio.

Se é verdade que a minha infância o quis mais por perto e que a minha adolescência lhe cobrou alguns arroubos, também é verdadeiro o profundo encantamento que sua alma sempre exerceu sobre o meu coração.

O tempo tem a sua medida e foi justamente ela quem foi aos poucos me revelando novas dimensões da sua figura humana. Ainda me lembro que no tempo em que meus pais se dedicavam à tarefa inglória – de resto reservada a todos os pais – de tentar me poupar das dores inevitáveis do crescimento, foi dele a bênção cúmplice e silenciosa que recebi, seja quando deixei o Brasil para descobrir o mundo, seja quando a prática política me levou para caminhos distintos dos seus.

E foram exatamente esse silêncio e essa cumplicidade os elementos utilizados para tecer, ao longo dos anos, o que eu hoje chamaria de nosso “pacto de convivência familiar”, cujo principal objetivo era o de tentar separar o mundo “lá de fora”, o das manchetes dos jornais, do mundo “aqui de dentro”, o da segurança afetiva, revelando aquela que durante muito tempo foi uma das suas maiores preocupações: separar a política da sua vida privada.

Tinha assim a ilusão, acredito eu, de nos preservar de aborrecimentos e preocupações, mal sabendo que cada problema não trazido para casa era ansiosamente adivinhado em cada olhar, cada gesto seu.

Nesse sentido, esse texto é uma pequena traição (pela qual peço desculpas) a essa fantasia que durante tanto tempo orientou a nossa vida familiar, na medida em que cria a inevitável interseção entre esses dois mundos: a interseção da realidade.

Fecho os olhos e o vejo no aniversário de sua irmã cantando Elvira Escuta. No instante seguinte é Natal e sua voz grave ecoa pela sala através dos versos de Noite Feliz. Vou à janela, respiro fundo e penso que apesar de serem poucos os meus anos e muitas as coisas já desacreditadas, algum encanto que ainda não me foi revelado deve existir num mundo capaz de produzir homens como este.

A sua bênção, meu avô.

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MAIS UM AMIGO SE FOI

 

Os jornais trataram com destaque, na ultima semana, a morte do ex-prefeito de Novo Cruzeiro, Paulo Vianna.
Ele morreu tentando salvar uma pessoa no acidente com um barco, num lago daquela região.

Paulo foi um grande companheiro. Um grande amigo.

Foi, fundamentalmente, um homem bom, no melhor sentido que a expressão pode ter.

Convivemos por mais de 20 anos. Antes, ele já fora um grande amigo de meu pai.

Paulo era dessas pessoas que conversam com a gente olhando nos olhos, capazes de dirigir por centenas de quilômetros para trazer pessoalmente uma notícia que considerasse importante. Boa ou ruim.

Tinha um profundo senso de lealdade, essa matéria-prima rara nesse território de terra arrasada que costuma ser a politica. Aceitava e compreendia o sentido maior de algumas decisões, mesmo quando elas contrariavam sua opinião pessoal.

Foi ele quem me falou, pela primeira vez, em Novo Cruzeiro, e durante décadas ele permaneceu firme na defesa, na luta e no amor pelos nossos vales: Mucuri, São Mateus, Jequitinhonha…

É possível que, no momento da sua morte, uma sombra rápida tenha se feito sobre os céus daquela região.

É que, às vezes, a natureza reconhece um dos seus.

Paulo viveu como morreu: tentando ajudar.
Quem o conheceu vai sentir falta.
Em mim, vai ficar a saudade do amigo, de uma época.
A lembrança de tudo o que foi feito.

Mais um que caminha na frente na estrada.
Nós seguimos atrás.

O meu abraço, meu amigo.

 

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MINÉRIO

 

O Governo de Minas, a OAB, a ABI e AMM, somaram forças e lançaram o movimento Justiça Ainda que Tardia, que tem o objetivo de aumentar o valor dos royalties do minério.
Muito já se falou sobre a importância da iniciativa.
Para mim, esse é um exemplo claro do que deveria ser sempre a ação política: somar esforços em torno de causas justas, legítimas e transformadoras.

A campanha publicitária de TV é formada por 3 filmes.
As personalidades que participaram não cobraram cachê. Apoiaram a causa.

Veja os filmes:

 

 

 

 

A campanha tem também um site onde você pode registrar o seu apoio. Ajude a divulgar! http://www.mineriocommaisjustica.com.br

 

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FRASES QUE MARCAM A GENTE

 

Se eu fosse uma colecionadora, colecionaria frases. Pequenas e grandes frases. Algumas ditas por acaso, outras passadas de mães pra filhas, de pais pra filhos. Algumas encontradas quase que perdidas em meio a grandes textos…

A verdade é que o jeito de contar, escrever uma história faz toda a diferença…

Algumas histórias são tão especiais que chegam até nós com personagens variados. Quer dizer, a mesma história roda o mundo e se adapta ao personagem local para fazer sentido a um grupo determinado de pessoas.

Tancredo

Me lembro sempre de uma piada, na verdade uma piada melancólica – se é que isso existe – contada na época em que o presidente Tancredo Neves estava internado no hospital:

Escutando uma grande movimentação na rua, embaixo da sua janela, o Presidente pergunta à enfermeira:
- Minha filha, que barulho é esse?
E a enfermeira responde: - É o povo, Presidente, o povo está todo lá embaixo.
– E o que o povo está fazendo aqui?
– Ele veio se despedir, Presidente.
– Ué, e o povo está indo pra onde, minha filha?

Anos depois, na Inglaterra, li essa mesma piada tendo como personagem Churchill.

Churchill

Existem muitas tiradas bem humoradas, irônicas, mas também frases sérias que são atribuídas ao grande líder inglês.
No museu em Londres que leva o seu nome – e vale muito a pena ser visitado – existe um espaço dedicado às suas frases.
Gosto especialmente, até hoje, de uma história bastante conhecida que revela a presença de espírito que teria marcado a personalidade dele. O diálogo tem várias versões: teria ocorrido em uma recepção, no Parlamento…

Contam que, em certa ocasião, Lady Astor se dirigiu a Churchill com arrogância e frieza e disse:
- Se eu fosse sua mulher, colocaria veneno no seu chá…
Ao que ele, com a voz pausada, teria respondido:
- Se a senhora fosse, eu tomaria…

Pôster situado no Churchill War Rooms

Churchill War Rooms

Mas, frase por frase, Churchill será lembrado mesmo pelas que disse durante a Guerra, quando falou aos ingleses para agradecer o desempenho dos pilotos da RAF – Real Força Aérea Britânica:

“Never was so much owed by so much to so few.”
“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.”.

Ou para manifestar o seu compromisso com a Inglaterra: “Nada tenho a vos oferecer a não ser sangue, suor e lágrimas”.

E você? Gosta de alguma frase em especial?

 

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KEEP CALM AND CARRY ON

 

Um amigo me mandou um e-mail perguntando o que eu estava achando da febre em torno da frase “KEEP CALM AND CARRY ON”, que estava sendo desdobrada e usada com conteúdos diferenciados em várias partes do mundo.

Fiquei surpresa com a pergunta. Não conhecia a frase e sequer tinha reparado que ela, em diversas variações, anda pra todo lado.

Você conhece a história da frase?

 

HISTÓRIA

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico preparou três pôsteres com mensagens chaves a serem distribuídas aos ingleses. Os dois primeiros diziam:

 

Sua coragem. Sua alegria. Sua determinação. Nos trarão a Vitória!

Pôster da Segunda Guerra Mundial

“Sua coragem
Sua alegria
Sua determinação
Nos trarão a Vitória!”

e

A liberdade está em perigo, defenda-a com toda a sua força!

Pôster britânico da Segunda Guerra Mundial

“A liberdade está em perigo, defenda-a com toda a sua força!”

 

Eles tiveram grande tiragem e foram distribuídos por toda a Inglaterra.

O terceiro foi preparado para o caso de uma invasão à Grã Bretanha. Dizia “Keep Calm and Carry On”. Significa: Fique Calmo e Siga em Frente.

Keep Calm and Carry On

Pôster britânico da Segunda Guerra: Keep Calm and Carry On!

 

A história nós conhecemos: não houve invasão e o pôster não foi distribuído.

Cerca de 50 anos depois, poucos exemplares foram localizados.

Por acaso, o livreiro de uma pequena livraria no interior da Inglaterra encontrou um exemplar. O pôster foi colocado em destaque em uma de suas paredes, e foi chamando a atenção dos visitantes. Ele acabou reproduzindo a peça, que já vendeu milhares de exemplares. De autoria anônima, o pôster é de domínio publico.

Por uma dessas razões que a gente não sabe bem porque, a frase caiu no gosto de muita gente. Variações foram feitas. Uma loja online vende produtos com a frase que virou marca. Dezenas de modelos de camisetas circulam pelas ruas.

 

Variações

Num artigo bacana publicado no Estadão, Alexandre Matias menciona algumas das brincadeiras que vem sendo feitas com a frase original. Pessoalmente achei mais graça na: “Keep Calm and Call Batman” (Fique Calmo e Chame o Batman).
Leia o artigo aqui.

 

VÍDEO

Veja o vídeo que conta a historia do pôster e já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas.
Vê se não dá vontade de conhecer essa livraria…

 

 

No mais, Keep Calm, Carry On e… Boa sorte!

 

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ARTISTAS SOLIDÁRIOS

 

Gosto de acreditar que existe sempre uma escolha ao alcance de cada um de nós.

Não me refiro às grandes escolhas, àquelas que trazem grandes definições às nossas vidas, mas às pequenas, aparentemente invisíveis, que acabam revelando quem somos: a forma como escolhemos lidar com os amigos, o que escolhemos fazer com o nosso tempo… mas, fundamentalmente, os atributos com que escolhemos viver a nossa vida.

 

SOLIDARIEDADE

Há alguns dias, lançamos um novo projeto do Serviço Voluntário de Assistência Social – Servas: uma coleção de sacolas retornáveis para supermercados.

Dez artistas cederam ao Servas o direito de uso de uma de suas obras. A Associação Mineira de Supermercados – AMIS – produziu e distribuiu as peças em dezenas de pontos de venda. O Servas vai receber R$ 0,30 por cada sacola vendida para apoiar os projetos sociais da entidade.

 

ARTISTAS SOLIDÁRIOS

Conheça os artistas solidários que participaram do projeto: Amilcar de Castro, Fernando Lucchesi, Fernando Pacheco, Fernando Velloso, Jorge dos Anjos, Jorge Fonseca, José Octavio Cavalcanti, Marco Túlio Resende, Thais Helt e Selma Weissman.

Agradeço, mais uma vez, a cada um e à familia Amilcar de Castro, que cedeu uma obra do grande artista para o projeto.

 

Projeto Sacolas de Minas

Sacolas de Minas

 

AS SACOLAS

Marco Túlio Rezende, um dos artistas que participa do projeto, foi feliz ao dizer que essa é uma boa iniciativa, porque tem, ao mesmo tempo, uma vertente social, uma ambiental e outra ainda cultural.

Os trabalhos dos artistas são lindos e tem linguagens diferentes – o que significa que cada um de nós pode encontrar os seus favoritos!

Conheço quem disse que vai emoldurar e colocar em casa!

Veja abaixo o vídeo com as sacolas, conheça os artistas e as intervenções realizadas no lançamento do projeto no Palácio da Liberdade, no shopping Pátio Savassi e no Mercado Central.

 

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A PRIVACIDADE NOS TEMPOS DA INTERNET

 

O lado mágico, revolucionário da internet, todo mundo conhece. Aos poucos, começa a surgir um outro lado, repleto de perplexidades e indagações.

Pensei nisso quando li o artigo do Alcione Araújo, publicado no dia 21 de maio, no jornal Estado de Minas. Vale a pena ler. Ele relata a experiência de um jovem estudante europeu, que descobriu que o Facebook possui um arquivo dele, com tudo o que ele postou durante toda a sua vida na rede. Inclusive, pelo que entendi, aquilo que ele deletou. É impressionante.

Clique aqui para ler o artigo do Alcione Araújo.

CIÊNCIA E ÉTICA

Bill Gates disse que a ciência já tem condições de desenvolver alguns inventos que precisam superar apenas a fronteira da ética, e não mais a do conhecimento, para serem desenvolvidos. Em especial, a produção de um chip que, colocado sob a pele, funciona como um GPS capaz de arquivar todos os lugares onde estivermos. O mesmo chip poderia também gravar tudo o que falarmos durante toda a nossa vida.

George Orwell não iria tão longe.

Tudo o que escrevemos fica gravado.

Todos os lugares onde estivermos e tudo o que falarmos poderá ficar gravado.

Em pouco tempo, tudo o que pensarmos poderá também ficar gravado?

Por quê? Para que? Para quem?

Livro: 1984 - George Orwell

Privacidade e internet

E QUEM NÃO QUISER?

Começam a surgir, aqui e ali, movimentos individuais que apelam para o que seriam os novos direitos civis.

Li em algum lugar que na Alemanha um grupo de pessoas foi à Justiça pelo direito de existir fora da internet.

São pessoas que não querem que suas casas façam parte de sistemas públicos de localização na rede, pessoas que não querem ser encontradas por pessoas com quem não querem se relacionar, pessoas que não querem ter suas vidas acompanhadas, monitoradas e arquivadas em algum lugar.

Pessoas que, ao contrário de Roberto Carlos, não querem ter um milhão de “amigos” – esse eufemismo criado nas redes sociais para identificar pessoas que sequer conhecemos.

Me contaram que novos sistemas prometem que, em breve, poderemos ser imediatamente identificado em qualquer lugar que estivermos. Por exemplo, uma foto poderá identificar, em tempo real, o nome de todas as pessoas que estão atravessando uma rua em Nova York ou estão numa arquibancada de um jogo de futebol em qualquer parte do mundo.

Será?

Nunca faltará quem aponte o lado positivo de avanços como esses. A identificação rápida de terroristas e criminosos é o exemplo mais óbvio. Mas e o custo para a sociedade como um todo? E a eliminação do direito à privacidade de cada um de nós?

Imagino que esse assunto esteja sendo discutido em fóruns mais amplos que ultrapassem os interesses imediatos dos laboratórios de tecnologia.

Há mais nesses processos do que a simples conquista tecnológica.

Será que os mocinhos de hoje serão os malfeitores de amanhã?

Será que conseguiremos encontrar um equilíbrio?

Será essa a nova trincheira da luta pelos direitos individuais e coletivos?

Pelo visto, nem tudo que reluz é ouro. Ou, nesse caso, nem tudo que reluz é só ouro.

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SÃO JOÃO DEL REY

 

Depois de um certo tempo, a nostalgia é a nossa segunda casa.

Ainda assim temos, todos, um lugar em mente quando alguém nos pergunta: “De onde você é?”

Repare que a própria expressão “Eu sou de algum lugar” guarda um segundo sentido. “Eu sou” significa “eu vim”, mas também “eu pertenço”.
Eu sou de São João del Rey.
Não nasci lá.
Mas pertenço a essa cidade.
Em nenhuma outra parte do mundo experimento a mesma intimidade, o mesmo reconhecimento.

Otto Lara Resende me disse uma vez que Guimarães Rosa achava São João triste.

Pode ser.

Vivo em relação à São João o mesmo sentimento que tantas pessoas mantém com relação aos seus lugares queridos: mantenho-me mais distante, para que a ferocidade do presente não ofusque a clareza com que guardo na memória e no sentimento, a minha cidade. A cidade que vive em mim.
A cidade com seus contornos e entornos: acordar com o toque dos sinos, descer de boia o Rio das Mortes, ir de bicicleta a Tiradentes, tocar violão no Largo de São Francisco…

Veja que lindo esse trabalho do Gustavo Nolasco, Marcus Desimoni, Bruno Magalhães e Alexandre Baxter:

A Humanidade do Patrimônio. Você já tinha pensado nisso?

 

 

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RISOLETA NEVES

 

Estava com minha avó quando ela viu chegar um fax pela primeira vez.

Ela me olhou perplexa e perguntou: como é que pode?

Eu respondi: não sei.

E não sei até hoje como é possível.

Estava também com ela, anos antes, quando ela inaugurou o serviço de ligações interurbanas em Claudio, pequena cidade mineira, sua terra natal.

Na foto, ela faz a primeira ligação e eu, quase embaixo da mesa, certamente não entendia nada.

 

Risoleta e Andrea Neves

Risoleta e Andrea

Poucas décadas separam um momento do outro.

Mudanças demais, em tempo de menos.

Em velocidade cada vez maior as coisas vão tomando, umas, os lugares das outras e a gente vai se atrapalhando, sem saber direito qual é o nosso novo lugar.
Sem saber direito o que fazer com as nossas lembranças e referências.

 

CHAPEUZINHO VERMELHO

Pensei nisso quando li na Folha de São Paulo desse domingo uma história deliciosa ocorrida com o Governador Geraldo Alckmin:

 

“Era uma vez

Com o Palácio dos Bandeirantes repleto de crianças, na sexta-feira, Geraldo Alckmin lia texto a ser divulgado no plano de busca de menores desaparecidos:

- Vocês conhecem a história do Chapeuzinho Vermelho? Lembram que o Lobo afasta Chapeuzinho do caminho para a casa da vovó e a história quase acaba mal? Pois é… Lobo Mau não existe, mas pessoas más, que levam crianças para longe de seus pais, sim.

Um garoto de 7 anos, intrigado, perguntou:

- Quem é Chapeuzinho Vermelho mesmo?”.

 

REFERÊNCIAS

Em outras palavras, sou do tempo da Chapeuzinho Vermelho.