O lado mágico, revolucionário da internet, todo mundo conhece. Aos poucos, começa a surgir um outro lado, repleto de perplexidades e indagações.
Pensei nisso quando li o artigo do Alcione Araújo, publicado no dia 21 de maio, no jornal Estado de Minas. Vale a pena ler. Ele relata a experiência de um jovem estudante europeu, que descobriu que o Facebook possui um arquivo dele, com tudo o que ele postou durante toda a sua vida na rede. Inclusive, pelo que entendi, aquilo que ele deletou. É impressionante.
Clique aqui para ler o artigo do Alcione Araújo.
CIÊNCIA E ÉTICA
Bill Gates disse que a ciência já tem condições de desenvolver alguns inventos que precisam superar apenas a fronteira da ética, e não mais a do conhecimento, para serem desenvolvidos. Em especial, a produção de um chip que, colocado sob a pele, funciona como um GPS capaz de arquivar todos os lugares onde estivermos. O mesmo chip poderia também gravar tudo o que falarmos durante toda a nossa vida.
George Orwell não iria tão longe.
Tudo o que escrevemos fica gravado.
Todos os lugares onde estivermos e tudo o que falarmos poderá ficar gravado.
Em pouco tempo, tudo o que pensarmos poderá também ficar gravado?
Por quê? Para que? Para quem?
E QUEM NÃO QUISER?
Começam a surgir, aqui e ali, movimentos individuais que apelam para o que seriam os novos direitos civis.
Li em algum lugar que na Alemanha um grupo de pessoas foi à Justiça pelo direito de existir fora da internet.
São pessoas que não querem que suas casas façam parte de sistemas públicos de localização na rede, pessoas que não querem ser encontradas por pessoas com quem não querem se relacionar, pessoas que não querem ter suas vidas acompanhadas, monitoradas e arquivadas em algum lugar.
Pessoas que, ao contrário de Roberto Carlos, não querem ter um milhão de “amigos” – esse eufemismo criado nas redes sociais para identificar pessoas que sequer conhecemos.
Me contaram que novos sistemas prometem que, em breve, poderemos ser imediatamente identificado em qualquer lugar que estivermos. Por exemplo, uma foto poderá identificar, em tempo real, o nome de todas as pessoas que estão atravessando uma rua em Nova York ou estão numa arquibancada de um jogo de futebol em qualquer parte do mundo.
Será?
Nunca faltará quem aponte o lado positivo de avanços como esses. A identificação rápida de terroristas e criminosos é o exemplo mais óbvio. Mas e o custo para a sociedade como um todo? E a eliminação do direito à privacidade de cada um de nós?
Imagino que esse assunto esteja sendo discutido em fóruns mais amplos que ultrapassem os interesses imediatos dos laboratórios de tecnologia.
Há mais nesses processos do que a simples conquista tecnológica.
Será que os mocinhos de hoje serão os malfeitores de amanhã?
Será que conseguiremos encontrar um equilíbrio?
Será essa a nova trincheira da luta pelos direitos individuais e coletivos?
Pelo visto, nem tudo que reluz é ouro. Ou, nesse caso, nem tudo que reluz é só ouro.



















