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21 DE ABRIL: TANCREDO EM IMAGENS

 

Muitas pessoas se manifestaram sobre o meu texto sobre Tancredo, em função da proximidade do 21 de abril.

Fiquei especialmente feliz ao perceber que muitas dessas manifestações vieram de pessoas jovens.

Memória não é apenas cronológica. Pode ser histórica, pode ser afetiva.  Pode ser até adivinhada.

Em retribuição a todas as mensagens que recebi, estou postando o vídeo abaixo, exibido na inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, sede do Governo de Minas.

Tomara que você goste.

 

 

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AS ESCOLHAS DE TANCREDO

 

Com a proximidade de todo 21 de abril, é inevitável que meus olhos e meu coração pousem nos dias, noites e madrugadas que, há 27 anos, antecederam a mesma data.

As circunstâncias e a forte emoção que envolveram a morte do presidente Tancredo, fazem com que aqueles dias ainda estejam próximos de muitos de nós.

É difícil quando toda a História é apenas uma meia História …

É sempre bom lembrar que, diferente de ações menores, o destino da ação política que merece esse nome, é se transformar em História.

Em  2010,  na Câmara Municipal de Belo Horizonte, tive a oportunidade de reviver momentos importantes da nossa História, através dos passos de Tancredo.

Veja o que eu falei naquela ocasião:

 

Meus amigos.

Antes de mais nada, agradeço, em nome de toda a minha família, a homenagem que a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte presta hoje ao Presidente Tancredo Neves, no ano de seu centenário.

Pensei muito em quais deveriam ser as minhas palavras que escolhi deixar aqui hoje.

Eu poderia falar da biografia do presidente Tancredo.

Poderia falar do promotor, do vereador, do deputado estadual, deputado federal, senador, governador, presidente eleito do Brasil.

Poderia falar do grande líder.  Poderia falar do homem que, em silêncio, nos relembrou uma antiga, verdadeira e valiosa lição: a de que existem causas que valem mais que nós mesmos.

Poderia falar da sua biografia formal e talvez até pudesse relatar algumas passagens da sua vida que sejam desconhecidas para alguns dos senhores.

Mas não são essas as palavras que optei por deixar com os senhores essa noite. Não vou me ater à biografia formal do Presidente.

Em homenagem a ele, vou falar de escolhas.

Porque foram as escolhas que Tancredo fez ao longo da sua vida que o transformaram no homem que ele foi: um homem capaz de liderar multidões e enternecer indivíduos.

Como são as escolhas que nós fazemos no nosso dia a dia que nos fazem crescer ou diminuir diante de nós mesmos.

Dizem que os verdadeiros líderes são raros. Porque são poucos os homens capazes de se fundir e se confundir, em determinado momento da História com o seu próprio povo.

São poucos os homens capazes de serem depositários da confiança e dos anseios da sua gente.

Dizem que os líderes são fundamentais na História das civilizações não apenas pelo que eles são capazes de representar e pelas decisões que são capazes de tomar.

Eles são fundamentais porque são reflexo da sua gente. E, por isso nos permitem ser melhores, maiores. Eles nos fazem mais fortes.

Os verdadeiros líderes tornam seu povo melhor e, por isso, tornam o mundo melhor.

Tancredo foi um líder.

Por ser um líder fez as escolhas que fez. E as escolhas que fez fizeram dele um líder maior.

Clique aqui e leia na íntegra

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CARTAS E MANUSCRITOS

 

Fiquei surpresa – e feliz – com o interesse que tanta gente demonstrou pelo documento que significou o cessar fogo da Segunda Guerra Mundial,  que publiquei no meu último post.

Além dos comentários, muitos amigos me mandaram e-mails pedindo mais detalhes sobre como adquirir documentos como aquele.

À noite, procurando alguns papéis para atender ao Geraldo que me enviou um comentário, também pedindo informações, decidi escrever mais a respeito do assunto.

 

ONDE

No número 222 do Boulevard Saint Germanin em Paris existe uma jóia.

Um pequeno museu chamado: Museu das Cartas e dos Manuscritos (o nome podia ser mais bonito?).

É um museu pequeno, com um espaço para exposições temporárias e, no sub solo, pelo que me lembro, três espaços distintos dedicados basicamente à História, à Ciência e à Literatura. Música e artes plásticas também são contempladas.

 

CARTAS E DOCUMENTOS

Lá você pode ver o rascunho de Einstein para a Teoria da Relatividade…

Correspondências de Manet, Monet, Gauguin…

Verlaine, Baudelaire, Flaubert…

Partituras de Mozart.

Documentos da Revolução Francesa, da Segunda Guerra Mundial…

 

SITE

O site do museu não traduz o que ele é, mas é uma pista.

Para quem está especialmente interessado em adquirir cópias de documentos é só entrar no site, clicar em boutique e depois em autographies e conhecer os documentos, cujas cópias estão à venda, inclusive pela internet.

Pelo que entendi, o preço é o mesmo para todos os documentos ali expostos (inclusive o telegrama de Eisenhower que postei): 15 euros.

www.museedeslettres.fr/public/

 

MAIS UM

Para quem gosta do tema, trouxe mais uma das cópias de documentos históricos que tenho comigo.

Ainda a Segunda Grande Guerra.

É uma carta do Kennedy a John Maguire, membro da tripulação do navio de guerra PT-109, comandado por ele e que naufragou após ataque das forças japonesas em 1943.

Aos 27 anos, Kennedy era tenente e teria tido um importante papel no salvamento da tripulação que acabou se refugiando numa ilha. O episódio deu origem a um filme que foi  lançado no ano da sua morte. No dia da sua posse na presidência dos Estados Unidos, um barco destruído e um coco seco foram colocados na sua sala na Casa Branca.

 

John F Kennedy com outros soldados à bordo do USS PT-109 em 1943

Kennedy - primeiro à direita na foto acima

A carta é de 19 de junho de 1944, poucos dias depois do desembarque das forças aliadas na Normandia.

A minha cópia tem o número 116.

Todas essas cópias vêm acompanhadas de um certificado de garantia.

Espero ter podido atender – e aumentar – a curiosidade de todo mundo que me fez perguntas sobre o post…

 

Carta de John F. Kennedy a John Maguire

Carta de Kennedy a John Maguire

 

 

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PALAVRAS

 

Respeito muito as palavras.
O que elas dizem, o que elas insinuam, o que elas tentam evitar …

Algumas pessoas são arrebatas por imagens, outras pelos sons.
As palavras sempre foram a minha casa.

Muita gente guarda porta retratos com fotos de momentos importantes.
Em minha casa, há anos, porta retratos contêm cartas, poemas …

Se fosse uma colecionadora, gostaria de colecionar frases.

Enquanto me falta o método e a paciência, vou recolhendo pela vida afora, documentos, versos, guardanapos com lembretes de finais de tarde, bilhetes …

 

DOCUMENTOS

A História é construção coletiva, mas o exercício da liderança é travessia solitária.

Quando vejo um documento, especialmente os que são relacionados com a História, penso na carga de emoção, pressão ou expectativa que está por traz deles.

Foi o que me ocorreu quando vi pela primeira vez, o telegrama abaixo.

É o documento que encerrou a Segunda Guerra Mundial.

Assinado por Eisenhower na condição de comandante das Forças Aliadas, o telegrama comunicava a todos os chefes militares aliados o final da guerra.

Decretava o fim da guerra.

É impossível avaliar o que essas palavras significaram para milhões de pessoas. Quantas vidas foram salvas?

Quantas poderiam ter sido salvas se as mesmas palavras tivessem sido escritas dias antes?

 

LEILÃO

Vejo na internet que o documento original foi leiloado em 2002. Avaliado em 60 mil dólares, foi arrematado por 160 mil.

Felizmente, cópias autorizadas de muitos documentos históricos podem ser compradas, por quem se interessa pelo tema. A minha que custou cerca de 100 dólares, tem o número 28 de uma tiragem de 500 exemplares.

Documento que encerrou a 2ª Guerra Mundial

Documento de Eisenhower, que encerrou a 2ª Guerra Mundial

“A missão dessas forças aliadas foi completada às 02:41, hora local, 07 de maio, 1945.

Eisenhower”

 

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VOCÊ LEMBRA?

 

A vida da gente tem trilha sonora, cenários e até personagens inesquecíveis. Tem também referências que mesmo que circunscritas a uma época, continuam fazendo sentido muito depois.

No meu caso, “As Cobras” do Veríssimo são algumas delas.

Explico:

As Cobras eram quadrinhos publicados no velho e bom JB.

Revirando pastas e papéis em busca de outra coisa, achei algumas tirinhas que guardei durante mais de 20 anos (ai!).

Elas podem não fazer muito sentido para quem é mais jovem ou mesmo para quem não as acompanhava, mas resolvi arriscar e trazê-las até aqui.

Quem não as conheceu na época em que eram publicadas talvez perca um pouco da ironia, já que  elas tinham personalidades e humor próprios.

Ainda assim, há algo de permanente no talento e na natureza humana que faz com que determinadas criações façam sentido, mesmo fora do contexto em que foram produzidas.

 

Veja o que você acha:

O que é a vida?

Tirinha: O que é a vida?

Amo você, Flecha

Tirinha: Amo você, Flecha

As Cobras

Tirinha: As Cobras

Ah Solzão

Tirinha: Ah, Solzão

Repassando a Constituição

Tirinha: Repassando a Constituição

Pare de Rir

Tirinha: Pare de Rir

Fique no seu lugar

Tirinha: Fique no seu Lugar

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DRUMMOND

 

Não conheci Carlos Drummond de Andrade.

Dele tenho a imagem que muitos devem ter: um homem recolhido, tímido até, meticuloso no trabalho e no texto.

Mas eu sei alguma coisa a mais sobre Drummond. Sei que ele era uma pessoa generosa.

Só uma pessoa muito generosa oferece o que tem de mais valor para um desconhecido.

No caso, a desconhecida era eu e o presente valioso, o tempo.

Alguém duvida que, depois de uma certa idade, o que temos de mais valioso é o tempo?

Explico melhor.

Vivi até quase os meus 30 anos no Rio.

Visitava sempre São João Del Rei, Cláudio, Belo Horizonte.

De longe, como tantos outros, era também tocada por essa entidade chamada Minas.

Para usar as palavras do Poeta, era também visitada pelo espírito de Minas, esse sentimento tão concreto e, ao mesmo tempo tão difícil de ser traduzido.

Nessa época, vivia intensamente Minas que, como algumas paisagens, parece ser melhor vista e compreendida de longe …

Debruçada sobre os versos de Drummond, me ocorreu um dia fazer o que, imagino, milhares de jovens também fizeram: enviar um poema ao velho Poeta.

Custei a reunir coragem e enviei a ele versos em que respondia – pretensão pouca – à angustia de seu personagem José ao constatar, nos versos já famosos, que Minas não há mais.

Mal pude acreditar quando recebi uma resposta do próprio punho de Drummond.

Carta de Carlos Drummond à Andrea Neves

Carta do próprio cunho de Drummond para Andrea Neves

Li e reli as breves palavras no cartão dezenas de vezes. Mudava a entonação e o texto ganhava sentido diferente. Professoral? Paciente? Impaciente? Quase afetuoso?

Não importa. O importante foi que ele dedicou alguns poucos minutos para escrever aquelas palavras e subscritar o envelope. Se o fez para mim, para quantos outros jovens não terá feito, ao longo dos anos, o mesmo gesto?

Imaginar o grande poeta dedicando parte do seu tempo a dialogar com meninos e meninas que ele não conhecia e que tateavam caminhos para começar a viver, não deixa dúvidas:

Drummond era um homem muito generoso.

 

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PERDÃO

 

Disseram–me uma vez que cada um de nós deve, em algum momento da vida, se voltar para o passado, tomar pelas mãos a criança que foi um dia e conversar com ela. Literalmente.

 

Andrea Neves quando criança

Andrea Neves criança

 

O que dizer, cada um saberia. Pedir desculpas por não termos chegado
a ser como gostaríamos de ter sido? Tranquilizá-la de que tudo correria bem? Colocá-la no colo, rir das suas bobagens e fazê-la adormecer sobre os seus – nossos – sonhos?

Dizem que a experiência é libertadora. Que, no fundo, tudo o que precisamos é sermos perdoados por nós mesmos.

É difícil saber em que momento deixamos de ser o que poderíamos ter sido e, para melhor ou para pior, nos transformamos no que somos.

É difícil saber que escolhas nos definem e quais nos adiam.

Quem saberá escrever, um dia, a história do que poderia ter sido?

 

PS.: Coincidência?

Já havia escrito esse post quando ganhei de um amigo um livro muito especial: “Fernando Pessoa – uma quase autobiografia” escrito por José Paulo Cavalcanti Filho.

 

Livro de Fernando Pessoa

 

Fiquei surpresa ao ler na contracapa: “Quem escreverá a história do que poderia ter sido?”, se pergunta Fernando Pessoa em “Pecado Original”. Não conhecia esse poema que, cuja primeira parte, graças ao escritor José Paulo, divido com você:

 

PECADO ORIGINAL

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.

O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.

Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.

Que é daquela nossa verdade — o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza — o propósito à mesa de depois?

Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar

(…)

Álvaro de Campos

 

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MORTE E VIDA

 

Meu pai costumava rir dizendo que havia chegado a uma idade em que só andava na rua olhando para baixo: tinha medo de olhar para cima e São Pedro jogar a chave.

Durante anos, meu avô brincou conosco, dizendo que já havia escolhido o seu epitáfio: Aqui jaz, muito contra a sua vontade, Tancredo Neves.

 

MORTE

A morte costuma ser um tema tabu para muitas pessoas.
Não é para mim.
Talvez, por tê-la visto tantas vezes visitar pessoas tão próximas…

Aprendi a reconhecer o momento exato em que ela pousa sobre a face daquele que se vai. E sei que nesses momentos devemos ajudá-los a seguir em frente. Em paz.

“Não temas
Segue adiante
E não olhes para trás
Segura na mão de Deus
E vai…”.

Chegamos aqui sozinhos e partimos sozinhos. Não deve ser por acaso.

Me alcança e me paralisa o depois: a saudade, a tristeza da ausência, do incompleto, da impotência…

 

VIDA

Ao longo do tempo, cada um de nós tece as suas próprias certezas. E as mais valiosas não nascem nem da experiência nem da reflexão, mas de um outro tipo de conhecimento, intuitivo, ancestral…

Acredito que a vida não é só o que vivemos – embora isso já seja, às vezes, demasiado.

Acredito que exista mais esperando por cada um de nós.

 

CAMINHO

 

Morte e Vida

 

Há séculos, filósofos e escritores usam diferentes metáforas para transmitir a mesma certeza: de todas as viagens que empreendemos, a mais reveladora e a mais definitiva é a que nos leva para dentro de nós, ao encontro de nós mesmos. Ao reencontro com o que, no fundo, de alguma forma, já sabemos.

Sempre que vejo a imagem de um viajante, penso que na estrada que percorremos nessa vida, o coração deve ser o guia e o espírito, a luz que revela o caminho. A razão é apenas o cajado sobre o qual nos apoiamos. Não devemos nos apoiar nele mais do que o necessário.

 

MORTE

Precisei de ajuda para lidar com algumas das minhas perdas. Encontrei-a fundamentalmente nos livros, conhecendo vivências, crenças e convicções de outras pessoas.

Um texto me tocou quando o li pela primeira vez: a biografia da Dra. Elisabeth Kübler-Ross, uma médica que estudou diversas questões relacionadas com a morte. O livro se chama “A roda da vida: memórias do viver e do morrer”. A editora é a Sextante, da muito querida Regina Pereira.

 

A Roda da Vida

Livro: A Roda da Vida

 

Quem já precisou explicar a morte para uma criança sabe como é difícil. Veja a delicadeza desse trecho na introdução do livro:

Quando acabamos de fazer tudo o que viemos fazer aqui na Terra, podemos sair de nosso corpo, que aprisiona nossa alma como um casulo aprisiona a futura borboleta. E, na hora certa, podemos deixa-lo para trás, e não sentimos mais dor, nem medo, nem preocupações. Estaremos livres como uma linda borboleta voltando para casa, para Deus…”. (Carta a uma criança com câncer).

 

DESTINO

Acredito também no destino. Não num destino tirano que já tomou todas as decisões e, sim, naquele que traçou as linhas gerais do desenho, mas deixa para cada um de nós a opção de terminar a gravura como queremos.

Gosto muito de frases. Especialmente de uma, cujo autor desconheço, e que diz: “O destino costuma nos alcançar mais depressa justamente nos atalhos que escolhemos para fugir dele.”

Comecei falando de morte, terminei falando de destino. Também não deve ter sido por acaso.

 

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TEMPO

 

Uma pessoa muito especial me disse uma vez que a vida é longa, mas passa rápido. Com isso, ele queria dizer que temos, durante a nossa vida, a chance de termos experiências muito diferentes, de sermos muitos e vários, sendo ao mesmo tempo apenas um e o mesmo.

De certa forma, tenho vivido assim.

Vivi o ideal do movimento hippie e, ainda muito jovem, atravessei – quase todo – os Estados Unidos em um ônibus colorido, em que as cadeiras foram substituídas por um piso alto de madeira onde nos embrulhávamos em nossos sacos de dormir e tocávamos violão enquanto viajávamos em direção à Califórnia.

Vivi o sonho da revolução e fui para a Nicarágua ver de perto a Revolução Sandinista. Conheci o Comandante Zero e devo ser uma das poucas brasileiras que ainda sabe de cor o hino da Frente Sandinista de Libertação Nacional.

Vivi a paixão pela literatura e fui salva pelos livros em vários momentos da minha vida.

Foram muitas as Andreas. Todas elas são mães da Andrea que sou hoje.

Penso nisso e me pergunto qual delas sussurra no meu ouvido diante de cada decisão, de cada escolha…

Penso nelas, na mulher em que nos transformamos, e sorrio intimamente ao perceber que elas estão todas vivas.

De alguma forma vivem todas em mim.

 

 

Oração Ao Tempo

Caetano Veloso


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo…
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo…

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo…

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo…

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo…

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo…


O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo…
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo…

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo…

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo…

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KONY

 

Nos últimos anos ficou comum escutarmos o quanto a internet está transformando o mundo em que vivemos.

Alguns relatos impressionam. Ver o papel das redes sociais ao furar o bloqueio de informações na “Primavera Árabe”, por exemplo, impressiona.

Mas novas formas de ação estão surgindo e, certamente, muitas outras ainda surgirão.

 

FAMA

Kony 2012

Pôster Kony 2012

 

Existe um documentário denúncia na internet chamado Kony 2012, criado pela ONG Invisible Children e que se tornou o maior viral da internet. O vídeo conta uma historia:

Em Uganda,  há décadas, existe um grupo chefiado por um homem chamado Joseph Kony. Esse grupo sequestra crianças e as transforma em soldados, violenta meninas e mantém milhares de pessoas sob terror.

Há alguns anos o fotógrafo americano Jason Russell visitou o país, teve uma percepção e uma ideia:

Kony só se mantém livre e ameaçador, porque o mundo não conhece suas atrocidades. A sombra o protege.

Russell decidiu então, usar os princípios que regem a nossa sociedade contra a lógica que rege essa mesma sociedade.

Somos uma sociedade que presta atenção naquilo que é famoso? Que se mobiliza em torno da fama? Pois ele decidiu fazer Kony ficar famoso. Transformá-lo em uma celebridade. Não para homenageá-lo, mas para revelá-lo. Expô-lo. Para não permitir que os governos esqueçam que ele existe. Para que o mundo não possa mais ignorá-lo. Para que nós não possamos mais ignorar os milhares de meninos e meninas, homens e mulheres que ele ameaça…

Segundo a Wikipédia, celebridades como Rihanna, Bono Vox, Bill Gates, Mark Zuckerberg apoiaram a causa.

Algumas pessoas questionam aspectos desse Movimento. Dizem que a violência não é monopólio de um único grupo armado e que essa iniciativa poderia estar criando falsos ativistas, pessoas que acreditam que, apenas dando um click, estão ajudando a transformar a sociedade.

Eu acho que vale a pena assistir ao vídeo. Veja o que você acha:

 

 

É verdade que a internet nos torna capazes de ouvir o pedido de socorro que vem de qualquer parte do mundo. Mas são os nossos princípios e os nossos corações que nos fazem capazes de escutar. E agir.

Com ética e tecnologia, o mundo decididamente pode ser outro.

PS. Foi minha filha quem me contou essa história.
Ética, tecnologia e uma nova geração que se importa: o mundo decididamente pode ser outro.