Alguns amigos me enviaram uma mesma sugestão: mostrar algumas das minhas edições de Alice no País das Maravilhas e pedir ao professor Ângelo que mostrasse algumas das de Chapeuzinho Vermelho que ele possui.
Vou falar com ele. Enquanto isso, trago algumas Alices.
Fiquei na dúvida sobre qual critério usar.
Escolhi o do tempo.
Seguem três das edições mais antigas que tenho na minha coleção:
A primeira é uma edição americana de 1949:
Alice’s Adventures in Wonderland and Through the Looking Glass – 1949
A segunda, uma edição francesa de 1953:
Alice au Pays des Merveilles – Edição francesa
A terceira, uma edição brasileira de 1962.
A tradução é de Monteiro Lobato
Alice no País das Maravilhas – Edição brasileira de 1962. Tradução de Monteiro Lobato
MAIS ALICE
Existem vários livros sobre Alice.
Um dos meus preferidos é All Things Alice, de Linda Sunshine, uma coletânea de frases, poemas e comentários sobre o livro e seu autor Lewis Carroll. Por exemplo, você sabia que ele numerava as cartas que escrevia e recebia e que a última teve o número 98.721? Nesse livro você também encontra referências de John Lennon, Borges e outros autores sobre Alice. Vale a pena.
Livro: All Things Alice
Ps: Acabo de receber um e-mail do professor Ângelo. Ele tem “62 Chapeuzinhos Vermelhos em 8 línguas, sem falar em várias versões do folclore antes de Perraul.”
É, as minhas Alices ainda precisam crescer muito…
Quando alguém vem pela primeira vez à minha casa e se interessa pelos meus livros, fico sempre na dúvida da impressão que tantas edições de Alice no País das Maravilhas pode causar no visitante.
Na última sexta-feira passei a me sentir mais confortável com a minha coleção: ouvi do professor Ângelo Machado que ele também é um colecionador… de edições de Chapeuzinho Vermelho!
O professor Ângelo é uma pessoa diferente, das que vale a pena conhecer. Aos 78 anos, é uma figura irradiante. É o que se costuma chamar de um frasista, com grandes tiradas e um excepcional senso de humor.
Professor Ângelo Machado
Ambientalista, presidente da Fundação Biodiversitas, autor de importantes trabalhos científicos, reconhecido mundialmente por descobertas na área de medicina é, também, um renomado entomologista (especialista em insetos) e autor de peças de teatro.
Seu nome foi dado a 27 seres vivos, entre libélulas, borboletas e outros insetos como homenagem de outros cientistas. Escreveu 32 livros infantis e ganhou o premio Jabuti.
E tudo isso em apenas uma vida!
Pensando bem, acho que vou reler Chapeuzinho Vermelho…
Eu ainda era muito jovem, quando descobri que Alice no País das Maravilhas não era um livro comum. Nem era um livro para crianças. Ou melhor, não era um livro apenas para crianças.
De lá pra cá, de uma forma ou de outra, o livro sempre esteve perto de mim. Nos últimos anos assumi o meu encantamento com a obra e, simbolicamente, entrei no Clube que reúne, no mundo todo, admiradores de Lewis Carrol e, em particular, de Alice.
Hoje, coleciono edições do livro – algumas em idiomas que não sei sequer ler -, visito sebos, e recolho, por onde viajo, leituras e releituras tidas como interpretações filosóficas ou psicanalíticas da obra. Mas nenhuma releitura se compara ao original.
O livro , escrito há quase 150 anos, vem despertando curiosidade desde então.
Veja a diferença de linguagem entre a primeira (1903 – Direção de Percy Stow e Cecil Hepworth) e a última (2010 – Direção de Tim Burton) filmagem de Alice.
Beatles
John Lennon disse, em entrevista à Playboy em 1981, que a letra de Lucy in the Sky with Diamonds, foi inspirada no livro. E a canção, I’m the Walrus, foi baseada no poema: The Walrus and the Carpenter de Alice no País do Espelho.
Cada um dos Beatles indicou algumas das pessoas que compõem a capa do álbum “Sgt. Pepper’s” de 1967. O rosto de Carroll está lá, por escolha de Lennon.
Beatles e Alice no País das Maravilhas
Diversas outras bandas se inspiraram no livro. Existe um blog que relaciona músicas ligadas à obra. Lá estão, entre outros, Pink Floyd, Jefferson Airplane, Aerosmith, Chick Corea e Avril Lavigne. Veja: http://migre.me/7GvJP
Escritores
Virginia Woolf disse que apenas Lewis Carrol nos mostrou o mundo de cabeça para baixo, como é visto por uma criança, e foi capaz de nos fazer rir como uma.
Jorge Luís Borges comentou trechos da obra.
Existe alguma coisa mágica no livro. Cada vez que eu leio uma página, sou alcançada por um sentido diferente. As ironias soam novas. É um livro para ser lido em fatias ao longo do tempo. Aos 6 anos a graça é uma. Aos sessenta, é outra. E melhor.
O meu passaporte para esse mundo oculto de Alice foi um texto de Paulo Mendes Campos chamado “Para Maria da Graça”. Já dei esse texto para diversos amigos em seus aniversários. Já o enviei para os filhos dos amigos, quando nasceram. Veja:
Para Maria da Graça
Paulo Mendes Campos
Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas. Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti. Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca.
Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. A realidade, Maria, é louca.Continuar a ler →